quarta-feira, 17 de julho de 2013

Vasculhei cada vão do meu peito, não precisei ir muito longe pra detectar borrões e machucados, alguns discretos outros ainda arroxeados. Senti minha pele se descolar do corpo como se quisesse ser alojada em outro corpo, no dele talvez.
Durmo pensando. Acordo lembrando. E tento, em vão, achar em cada pessoa que passa na minha vida, um pouco do que ele foi pra mim.
E essa vontade de voltar no tempo aperta meu coração e faz os meus dias perderem o sentido.
Então me desloco, procuro alguma carta, um bilhete amassado no bolso da calça, um riso que ele jogou e colou na minha boca através de um beijo, ou de um rabisco contido nas linhas não escritas de nós dois.
Mas é preciso seguir. Guardar nossos momentos e toda essa saudade num cantinho da alma, e voltar a cuidar de mim. Olhar pro hoje com vontade de recomeço e fé no que está por vir. Eu já era feliz antes de esbarrar no sorriso dele.
Afinal, sempre fui desse tipo que sorri à toa, nunca precisei manipular minha face com auto piedade. O riso me vem pronto, moldado com filetes de autoconfiança e toda essa saudade ficou borrada em algum canto que já não me pertence. E prossigo, arrancando a velha maquiagem da alma, retocando meu peito com essência própria, sem perder o equilíbrio e a liberdade que tanto me assola. E talvez, algum dia, noutro canto, uma outra saudade me pinte de amor.


Karla Tabalipa

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