" Você
tampa a panela, dobra o avental, deixa a lágrima secar no arame do
varal. Fecha a agenda, adia o problema, atrasa a encomenda, guarda
insucessos no fundo da gaveta. A idéia é tirar a tarja preta e pôr o
dedo onde se tem medo. Você vai perceber que a gente é que faz o monstro
crescer. Em seguida superar o obstáculo, pois pode-se estar perdendo um espetáculo acontecendo do outro lado.
Atravessar o escuro até conseguir tatear o muro, que é o limite da
claridade. Se tiver capacidade para conquistá-la, tente retê-la o mais
que puder. Há que ter habilidade, sem esquecer que a luz é mulher. Do
inferno assim desmascarado, é hora de voltar. Não importa se é caminho
complicado, se a curva é reta, ou se a reta entorta. Você buscou seu
brilho, voltou completa; jogou a tranca fora, abriu a porta. "
Flora Figueiredo
sábado, 27 de abril de 2013
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