Acho uma pena que falar em coração tenha se
tornado uma coisa tão antiga. Mas o fato é que tornou-se. Coração
dilacerado, coração em pedaços, coração na mão… Sentimos tudo isso, mas a
verbalização soa piegas. E, no entanto, estamos falando dele, do nosso
órgão mais vital, do nosso armazenador de emoções, do mais forte
opositor do cérebro, este sim, em fase de grande prestígio. O que está
em alta? Inteligência, raciocínio,
lógica, perspicácia! Gostamos de pessoas que pensam rápido, que são
coerentes, que evoluem, que fazem os outros rirem com suas ironias e
comentários espertos. Toda essa eficiência só corre risco de desandar
quando entra em cena o inimigo número 1 do cérebro: o coração. É o
coração que faz com que uma super mulher independente derrame baldes de
lágrimas por causa de uma discussão com o namorado. É o coração que faz
com que o empresário que precisa enxugar a folha de pagamento relute em
demitir um pai de família. É o coração que faz com que todos tremam seus
queixinhos quando o Faustão põe no ar o quadro arquivo confidencial! Eu
gostaria que o coração fosse reabilitado, que a simples menção dessa
palavra não sugerisse sentimentalismo barato, mas para isso é preciso
tratá-lo com o mesmo respeito com que tratamos o cérebro, e com a mesma
economia. Se a expressão “beijo no coração” é considerada “over ",
voltemos a ser simples. Mandemos beijos e abraços sem determinar onde;
quem os receber, tratará de senti-los no local adequado.
*Um bom coração, sincero, sensível e amável, é artigo de luxo. Martha Medeiros
segunda-feira, 25 de março de 2013
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