domingo, 7 de outubro de 2012

encerrando ciclos

Encerrando Ciclos

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.
Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações? Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....
saposaraso
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado. Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. 
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar. 
As coisas passam e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. 
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. 
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais. 
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal". 
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és. E lembra-te: Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão. 


Gloria Hurtado

terça-feira, 2 de outubro de 2012

"Eu, por exemplo, gosto do cheiro dos livros. Gosto de interromper a leitura num trecho especialmente bonito e encostá-lo contra o peito, fechado, enquanto penso no que foi lido. Depois reabro e continuo a viagem. (…) Gosto do barulho das p

aginas sendo folheadas. Gosto das marcas de velhice que o livro vai ganhando: (…) a lombada descascando, o volume ficando meio ondulado com o manuseio. Tem gente que diz que uma casa sem cortinas é uma casa nua. Eu penso o mesmo de uma casa sem livros.”
(Martha Medeiros)

valorize-se

Se um homem quer você, nada pode mantê-lo longe;
Se ele não te quer, nada pode fazê-lo ficar.
Pare de dar desculpas (de arranjar justificativas) para um homem e seu comportamento.
... Permita que sua intuição (ou espírito) te proteja das mágoas.
Pare de tentar se modificar para uma relação que não tem que acontecer.
Mais devagar é melhor. Nunca dedique sua vida a um homem antes que você encontre u

m que realmente te faz feliz.
Se uma relação terminar porque o homem não te tratou como você merecia,”foda-se, mande pro inferno, esquece!”, vocês não podem “ser amigos”. Um amigo não destrataria outro amigo.
Não conserte.
Se você sente que ele está te enrolando, provavelmente é porque ele está mesmo... Não continue (a relação) porque você acha que “ele vai melhorar”. Você vai se chatear daqui um ano por continuar a relação quando as coisas ainda não estiverem melhores.
A única pessoa que você pode controlar em uma relação é você mesma.
Evite homens que têm um monte de filhos, e de um monte de mulheres diferentes. Ele não casou com elas quando elas ficaram grávidas, então, porque ele te trataria diferente?
Sempre tenha seu próprio círculo de amizade, separadamente do dele.
Coloque limites no modo como um homem te trata. Se algo te irritar,faça um escândalo.
Nunca deixe um homem saber de tudo. Mais tarde ele usará isso contra você.
Você não pode mudar o comportamento de um homem. A mudança vem de dentro.
Nunca o deixe sentir que ele é mais importante que você… mesmo se ele tiver um maior grau de escolaridade ou um emprego melhor.
Não o torne um semi-deus. Ele é um homem, nada além ou aquém disso.
Nunca deixe um homem definir quem você é.
Nunca pegue o homem de alguém emprestado.
Se ele traiu alguém com você, ele te trairá.
Um homem vai te tratar do jeito que você permitir que ele te trate.
Todos os homens NÃO são cachorros.
Você não deve ser a única a fazer tudo… compromisso é uma via de mão dupla.
Você precisa de tempo para se cuidar entre as relações. Veja as suas questões antes de um novo relacionamento.
Não há nada mais precioso quanto viajar.
Você nunca deve olhar para alguém sentindo que a pessoa irá te completar. Uma relação consiste de dois indivíduos completos, procure alguém que irá te complementar… não suplementar.
Namorar é bacana. mesmo se ele não for o esperado Sr. Correto.
Faça-o sentir falta de você algumas vezes… quando um homem sempre sabe que você está lá e que você está sempre disponível para ele, ele se acha.
Nunca se mude para a casa da mãe dele. Nunca seja cúmplice (ou co-assine qualquer documento) de um homem.
Não se comprometa completamente com um homem que não te dá tudo o que você precisa.
Mantenha-o em seu radar, mas conheça outros…
Compartilhe isso com outras mulheres e homens (de modo que eles saibam).
Você fará alguém sorrir, outros repensarem sobre as escolhas e outras mulheres se prepararem.
O medo de ficar sozinha faz que várias mulheres permaneçam em relações que são abusivas e lesivas
Você deve saber que você é a melhor coisa que pode acontecer para alguém e se um homem te destrata é ele que vai perder uma coisa boa.
Se ele ficou atraído por você à primeira vista, saiba que ele não foi o único.
Todos eles estão te olhando, então você tem várias opções.

Faça a escolha certa! "

se baste !

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

“…Tenho saudades tuas… Queria ter-te aqui comigo, a meu lado, de mãos dadas ou de olhos nos olhos… Cingir-te a cintura e apertar-te contra mim e sentir teu corpo… Desejar o teu desejo… Ouvir teu coração bater com a minha face sobre o teu pe

ito… Beijar-te a boca e saber-me dentro de ti… Sentir-me mais uma vez como as muitas que senti… Tenho saudades tuas… Chamar pelo teu nome… Ouvir a minha voz pronunciar esse som e saber-me respondido com o teu sorrir… Estar onde estás e saber-me contigo, aberto de mim para te receber em plenitude… Entrar no teu ser e saber-me lá residente, não ontem nem hoje mas, sempre… Perder-me no teu labirinto e jamais encontrar a saída… viver os caminhos e as esquinas que se cruzassem à nossa frente e deixar de conhecer o tempo que nos cerca… olvidar a dor da ausência do teu doce amar… Tenho saudades tuas…”

domingo, 6 de maio de 2012

"Algumas pessoas se destacam para nós. Não há argumento capaz de nos fazer entender exatamente como isso acontece. Porquê dançam conosco com mais leveza nessa coreografia bela, e tantas vezes atrapalhada, dos encontros humanos. Muitas vezes tentamos explicar, em vão, a medida do nosso bem-querer. A doçura de que é feito o olhar que lhes dirigimos. O sentimento que nos move para ajudá-las a despertar um único sorriso. Não importa quando as encontramos no nosso caminho. Parece que estão na nossa vida desde sempre e que mesmo depois dela permanecerão conosco. É tão rico compartilhar a jornada com elas que nos surpreende lembrar de que houve um tempo em que ainda não sabíamos que existiam. É até possível que tenhamos sentido saudade mesmo antes de conhecê-las. O que sentimos vibra além dos papéis, das afinidades, da roupa de gente que usam. Transcende a forma. Remete à essência. Toca o que a gente não vê. O que não passa. O que é. Por elas nos sentimos capazes das belezas mais inéditas. Se estão felizes, é como se a festa fosse nossa. Se estão em perigo, o aperto é nosso também. Com elas, o coração da gente descansa. Nós nos sentimos em casa, descalços, vestidos de nós mesmos. O afeto flui com facilidade rara. Somos aceitos, amados, bem-vindos, quando o tempo é de sol e quando o tempo é de chuva. Na expressão das nossas virtudes e na revelação das nossas limitações. Com elas, experimentamos mais nitidamente a dádiva da troca nesse longo caminho de aprendizado do amor." (Ana Jácomo)

sexta-feira, 16 de março de 2012

Sou mais que a mulher que pareço





























Sou musculada
Levo um estalo e vou ao chão!
Mas depressa me levanto
Porque a mulher que eu sou
Não é a mulher que pareço
Sou sobrevivente de mim mesma...
Campo de batalhas
Umas ganhas outras perdidas,
Ecoam ainda em mim
As dores que senti,
Os risos que gargalhei
Os gritos que saltei
Sou mais que a mulher que pareço
Os músculos que faltam fora
São a força que vem de dentro...!


Encandescente

paredes altas , e sem teto...

Eu estava precisando de uma folga de tudo pra poder ser eu mesma, mesmo
que isso significasse não ser tão boa em tudo como
todo mundo julgava que eu devesse ser.
Precisava fechar os olhos e chorar, sabe?
Mas não um choro com lágrimas que corresem fora dos meus olhos, não.
Eu precisava me chorar um pouco, chorar fundo, me rezar, me acalmar sozinha,
me olhar melhor porque eu andava tão perdida dentro de mim.
Eu estava com mais medo do que qualquer um poderia supor, ninguém
suporia por fora, porque por fora ainda era só belo.
Eu precisava de um tempo de reclusões pro meu belo
não ser só externo, e pra eu voltar a ser bonita.

Eu estava precisando de um tempo sem muitas mentiras.
As poucas eu até poderia lidar, aos poucos.
Mas não mais mentiras feias, as sujas, as que até eu mesma
tinha vergonha de contar pra mim. Eu precisava de encanto de céu,
de mar e de lua à portas trancadas e paredes altas, sem teto...

Rani Ghazzaoui

O amor está mais perto do ódio
do que a gente geralmente supõe .
São o verso e o reverso da mesma moeda de paixão.
O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença...

Érico Veríssimo

exceção

Talvez saiba em algum lugar no fundo de minha alma .
Que o amor nunca dura .
E nós temos que arranjar outros meios de seguir em frente sozinhos

ou continuar com uma cara boa.E eu sempre vivi assim.
Mantendo uma distância confortável.
E até agora eu jurei pra mim mesma,que eu era feliz com a solidão.
Porque nada disso nunca valeu o risco, 

mas você é a única exceção..

sábado, 10 de março de 2012

"Quem teve o privilégio de viver muito sabe que o tempo é um mestre muito caprichoso. Às vezes, as suas lições são tão repentinas que quase nos afogam. Outras vezes, elas se depositam devagar como a conta gotas diante da avidez das nossas perguntas. E, por isso, quem teve o privilégio de viver muito tempo, aprende a olhar com serenidade o turbilhão da vida.

Amores ardentes se extinguem. Urgências se acalmam. Passos ágeis, alentam.

Enfim, tudo muda. Muda o amor, mudam as pessoas, muda a família, só o tempo permanece do mesmo modo, sempre passando.

Um brinde ao tempo que esculpiu no meu rosto e na minha alma a sua marca que tanto me orgulho.

Ao Tempo!.... Ao Tempo....."

segunda-feira, 5 de março de 2012

Existe essa alegria, e eu não posso evitá-la,
pois são poucos os gestos permitidos,
se você reparar; não podemos desperdiçar um que seja.
Então, muitas vezes, eu preciso de um fone de ouvido para ouvir
a minha alegria bem alto sem incomodar o vizinho.
É algo inédito, mas agora existe isso na minha vida.
Então, eu me sento ali no cantinho e sou feliz,
escancaradamente sem motivo!

Rita Apoena

Às vezes, a gente constata que só há vazio dentro de nós, 
que não temos nada a partilhar com o outro, que só há gelo no estômago.
Então, alguém se aproxima e suplica por uma meia-palavra, 
um sinal de amor, uma ajuda vital num instante qualquer.

E você ouve a própria voz a proclamar conselhos, se assusta
ao ver sua mão estendida e percebe, pasmo, 
seus gestos de amor entregues ao outro. 
E, assim, descobre que em meio ao vazio
ainda há esconderijos de luz dentro do seu corpo.

Tem pessoas que são assim, chegam perto e trazem à tona
o sol que há em você.

 Maíra Viana

sexta-feira, 2 de março de 2012

Era amor


“ E , quanto mais tempo passava, mais Rodrigo compreendia ser-lhe impossível viver sem Bibiana. O que a princípio fora apenas desejo carnal agora era também um pouco ternura: era amor. E o cap. Cambará inquietava-se por isso. Porque sempre lhe parecera que o único amor digno dum homem era esse que apenas pede cama. O amor de fazer ou cantar versos e mandar flores, esse amor de doer no peito, de dar saudade era amor de homem fraco. Ele cantava versos que falavam em tiranas, saudade e mágoa, só por brincadeira, sem sentir de verdade as coisas que dizia. No entanto, agora estava enfeitiçado por Bibiana Terra. E, em fins daquele dezembro quente e parado, Rodrigo Cambará pela primeira vez compreendeu o profundo sentido dum ditado popular: “Quem anda cego de amor não sabe se é noite ou se é dia”.


Erico Verissimo
em 'Um Certo Capitão Rodrigo '

A tua solidão é tão vasta quanto a minha. Confessa.
Tuas noites são povoadas por saudades. E memórias.
Tu também olhas pela janela nas altas madrugadas desejando um amor. Em segredo.
Tu também te perdes, caminhos errados, pessoas
estranhas – o santo não bate, lembra?
Ninguém desconfia das tuas angústias. Nem mesmo eu.
E então, com meia dúzia de palavras bonitas, mas difíceis, tu te desnudas. Sem querer?
Não te imagino intencional. És um aviãozinho de papel a vagar pelos ventos sem rumo.
Engana-te se achas qu
A tua solidão é tão vasta quanto a minha. Confessa.
Tuas noites são povoadas por saudades. E memórias.
Tu também olhas pela janela nas altas madrugadas desejando um amor. Em segredo.
Tu também te perdes, caminhos errados, pessoas
estranhas – o santo não bate, lembra?
Ninguém desconfia das tuas angústias. Nem mesmo eu.
E então, com meia dúzia de palavras bonitas, mas difíceis, tu te desnudas. Sem querer?
Não te imagino intencional. És um aviãozinho de papel a vagar pelos ventos sem rumo.
Engana-te se achas que é possível ser terrivelmente feliz nestes esconderijos.
Abre-te para os encantos. É lá que moram os olhares encontrados,
a pele arrepiada,o pé que encosta no outro sem aviso. As mãos dadas. 
Tu me encantas.Longe, perto, sem saber –



até hoje.
e é possível ser terrivelmente feliz nestes esconderijos.
Abre-te para os encantos. É lá que moram os olhares encontrados,
a pele arrepiada,o pé que encosta no outro sem aviso. As mãos dadas. 
Tu me encantas.Longe, perto, sem saber –



até hoje.

A tua solidão é tão vasta quanto a minha. Confessa.
Tuas noites são povoadas por saudades. E memórias.
Tu também olhas pela janela nas altas madrugadas desejando um amor. Em segredo.
Tu também te perdes, caminhos errados, pessoas
estranhas – o santo não bate, lembra?
Ninguém desconfia das tuas angústias. Nem mesmo eu.
E então, com meia dúzia de palavras bonitas, mas difíceis, tu te desnudas. Sem querer?
Não te imagino intencional. És um aviãozinho de papel a vagar pelos ventos sem rumo.
Engana-te se achas qu
A tua solidão é tão vasta quanto a minha. Confessa.
Tuas noites são povoadas por saudades. E memórias.
Tu também olhas pela janela nas altas madrugadas desejando um amor. Em segredo.
Tu também te perdes, caminhos errados, pessoas
estranhas – o santo não bate, lembra?
Ninguém desconfia das tuas angústias. Nem mesmo eu.
E então, com meia dúzia de palavras bonitas, mas difíceis, tu te desnudas. Sem querer?
Não te imagino intencional. És um aviãozinho de papel a vagar pelos ventos sem rumo.
Engana-te se achas que é possível ser terrivelmente feliz nestes esconderijos.
Abre-te para os encantos. É lá que moram os olhares encontrados,
a pele arrepiada,o pé que encosta no outro sem aviso. As mãos dadas. 
Tu me encantas.Longe, perto, sem saber –



até hoje.
e é possível ser terrivelmente feliz nestes esconderijos.
Abre-te para os encantos. É lá que moram os olhares encontrados,
a pele arrepiada,o pé que encosta no outro sem aviso. As mãos dadas. 
Tu me encantas.Longe, perto, sem saber –



até hoje.

...Esbanja o amor à mão-cheia!
Oferece-o, atira-o pela janela, espalha-o aos quatro ventos,
esvazia os bolsos - e terás mais do que tinhas.

Santo Agostinho

A promessa de sexo costuma ser tão excitante quanto o sexo em si.
Não falo da promessa que mora no território dos devaneios, mas da que é quase um prenúncio, daquela que é possível, que nos põe demoradamente no chuveiro, que nos faz perfumar, planejar, ensaiar... da que excita, expande, invade.
Da promessa que pode estar escondida num olhar mais demorado, manhoso, daqueles que acendem um fogo quase quieto, quase imóvel, que hiberna em cada um de nós. Da que pode estar no bilhete colado na geladeira, no bilhete do trem, no ombro a mostra, no que não mostra, na rima, no rumo, na data esperada, no encontro inesperado...
Porque fazer sexo é muito bom, mas o que o antecede também é.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

sobre as mortes inexperadas

Eu morri. Sem querer, sem desejar, eu morri. Morri a morte dolorida daqueles que inexistem dentro do coração do outro. Morri, enquanto ainda adormecia os meus olhos no sonho inocente de paralisar a máquina do tempo, para recolocar cada coisa em seu lugar. Morri acreditando que podia transformar a estranha realidade do ontem, em um hoje muito mais bonito. Morri, enquanto a expectativa do até breve pernoitava dentro do meu coração, e me fazia acreditar que algumas partidas inesperadas são só um forma desajeitada de dizer: “vou ali, mas já volto”. Morri, acreditando que voltaria. Morri; perdida, dentro da indesejável solidão de quem fica.
Eu morri. Morri; pálida e exausta, com as cores do maior amor do mundo ainda nas pontas dos dedos, revelando minhas inúmeras tentativas de recolorir o seu coração. Morri, enquanto morria aos poucos, submersa em uma crença quase inabalável, de que o amor que carregava dentro do meu peito poderia transformar a sua vida. As suas coisas. As suas tantas fases, quando elas se desencontravam da lua. Morri, entregue ao vento, feito palavra perdida, não pronunciada; não revelada, quando ainda tinha tanto a lhe dizer. Morri muda, como aqueles que se perdem dos seus sonhos e chegam ao final da vida sem nada para contar.
Morri um pouco de cada vez… Uma morte lenta, de quem vai se entregando às pequenas dores, até não sobrar mais espaço na alma para doer. E morri cega, surda e perdida, sem conseguir encontrar o caminho de volta para a minha própria vida, porque mesmo sem você saber, eu estava morando na sua. Eu fiquei lá, morando, sentada, esperando, como quem espera sem nenhuma garantia; mas espera, só porque acredita que amor bonito marca tanto por dentro, que não importa o tempo que leva, ele sempre volta. E traz flores, plantadas dentro de um coração renovado e bem disposto, entregue ao encanto de um amor tão grande que sobreviveu ao tempo de uma espera eterna.  Morri, de tanto esperar.
Morri, vivendo nos seus dias. E enquanto você vivia a sua vida, sem nenhuma vontade de voltar para os braços abertos de quem só espera, eu morria. E morri, sem saber ao certo o meu lugar nessa vida incerta e intempestiva, que nos sorri o sorriso mais bonito quando nos cobre de esperança, e nos mata aos poucos quando as estrelas que ganhamos para iluminar o nosso céu se apagam sem que a gente tenha conseguido tocá-las. Morri, segurando aquela estrela.
Morri, sem conseguir saber de verdade o meu tamanho. Sem saber se minha alma era realmente maior que o meu corpo. Morri, sem ouvir a verdade. Sem ouvir o que você nunca disse. Morri, sem conseguir chegar ao paraíso, encontrar Deus e lhe pedir perdão, pela minha falta de fé. Morri, sem nenhum encanto. Morri sonhando o sonho dos inocentes – dos que ainda acreditam no maior amor do mundo – e enquanto adormecia os meus olhos em uma espera, um anjo me falou que Deus me via. Que embora algumas vezes eu não acreditasse, Ele me via. E me via de um jeito tão bonito, que havia lhe enviado ali, para me dar algumas respostas. E que ele estava ali só para me dizer que um amor tão grande assim, não poderia morrer de repente. Que um amor tão grande assim, merecia mais. Que um amor tão grande assim, deveria se eternizar. Que um amor tão grande assim, deveria deixar alguém para lembrar e contar a sua verdadeira história. E foi só por isso – por ter enxergado no meio da multidão o tamanho do amor que eu carregava dentro do meu peito, sem ninguém saber – que Ele plantou dentro de mim uma semente que deu origem a uma flor: A flor do maior amor do mundo!
Agradeci ao anjo pelo presente. Agradeci a Deus por me amar assim. E, hoje, peço a Deus, que mesmo com a alma soterrada pela falta de esperança e o coração injustamente pisoteado, e ainda no chão, que eu não desista de amar. Que ainda que o tempo não consiga fazer o meu coração voltar saudável para dentro do peito, que eu não desista de amar. Que ainda que me digam que eu morri dentro do coração de alguém, que eu não desista de amar. Que ainda que doa o intraduzível, que eu não desista de amar. E que eu não desista do amor, porque é ele, o meu amor, o maior amor do mundo, que alimenta a minha flor.

Renascemos cada vez que descobrimos nos olhos de alguém o amor.
Depois de uma vida costurando retalhos como se fossem estrelas, volto para dentro e encontro um coração vazio. Mas não um vazio vestido de nada, consumindo versos e calando poesias. Não! Enquanto eu dormia e fechava os meus olhos para vida, fingindo acordar no amor de alguém, tudo acontecia e mudava a direção do meu tempo.  Foi aí que eu percebi que tudo muda de sentido, até aquilo que pesa. Saber e pensar sobre o nada me pesava como aquelas toneladas de escolhas mal sucedidas penduradas nas minhas costas. E eu, perambulando entre um sonho e outro, totalmente equivocada, arrastando todo aquele peso como se fosse prêmio. Como se eu fosse sabedoria e habilidade, escolhida pela vida para entender complexidades. Como se eu fosse um bem, fazendo bem e morrendo em cada esquina; morrendo um pouco de cada vez, a cada passo que eu dava na direção contrária de mim. Equívocos de alma que se apequena de quando em quando, numa tentativa desesperada de se encaixar em qualquer espaço. Agora eu entendo de um jeito manso, que o efeito de um amor bate-volta, desses que nos toma inteira enquanto a gente ainda acredita que tem o domínio sobre ele, é devastador. DE-VASTA-DOR. Entende? Porque uma entrega tem que ser plena. Tem que desfazer nós. Tem que “somar luzes aos sóis dos nossos dias”. Uma entrega verdadeira não pode vir acompanhada de doses e mais doses de angústia. Amor entregue e disponível não corrói os nossos espaços destinados a ELE. Amor entregue não nos ocupa com dores indissociáveis. Não! Uma entrega tem que ser inteira e não em conta-gotas, porque ninguém oferece uma flor de pétala em pétala. Oferece-se uma flor e pronto. E lá está ela, linda, colorindo o nosso espaço.  O mesmo acontece com o Amor. Tem que colorir ou pelo menos fazer do cinza, algo encantador. Tem que trazer no abraço uma vontade inesgotável de ficar. Tem que trazer um punhado de fé, também. Porque Amor é poesia e fé.
Sim, devo confessar que foi quando resolvi abrir as minhas retinas e olhar em outra direção, que enxerguei de longe o meu Amor-Sonho manifestando-se naqueles olhos de promessa. Olhos que me diziam doçuras, que neutralizavam alguns amargos da minha vida… E eu conduzida pelo desejo de ser inteira dentro dele, fui entregando-me em poesia. Deixando-me tocar com o verbo e traduzir-me com o verso. Amor que carimbou um sorriso de beleza exposta no meu rosto, ao me colorir por dentro, com as cores mais vibrantes e mais bonitas. Amor que me sorri um sorriso sincero, que vê a minha alma e desperta em mim uma sede – quase insaciável – de palavra certa, precisa… De palavra que possa traduzir as delícias e o prazer de um encontro entre almas que versam o mesmo verso, dançam no mesmo compasso; adormecem e sonham juntas o próximo encontro… Foi quando eu vi o meu Amor-Sonho manifestando-se naqueles olhos que respondiam as minhas intermináveis perguntas – sem que eu mesma precisasse perguntar – e dissolviam aquele medo atávico de ser vazio, enquanto pairava sobre mim a crença de que o vazio era o nada ocupando espaço dentro do peito, que eu entendi que esvaziar-se de tudo é só uma das formas de destituir culpas; desalojar ressentimentos; despejar o medo para abrigar a coragem. O vazio é uma casa limpa e um coração desocupado de tudo aquilo que pesa demais e o deixa no chão, feito bola a ser chutada para o outro lado da rua, por qualquer pessoa distraída. Vazio é o resultado final da leveza que desejo SER, quando decido aproveitar melhor os meus espaços e reorganizar os sentimentos; quando decido na liberdade de ser, tomar fôlego, encontrar vida e ir à luta. É…  Estou vazia de tudo porque despertei de um sono profundo e encontrei vida. E amor. Amor que é a soma de tudo o que eu vejo; que me faz mergulhar e permanecer até descobrir a essência do sentir nos extremos da minha alma, sem o peso da culpa por querer ser inteira, até quando sou o avesso dos sentimentos. De sentir o meu Amor-Sonho se manifestando no outro, sem o medo de não ser refúgio. De ser laço que enfeita presente bonito. De ser Amor feito poema que me conduz à felicidade de ter um espaço exclusivo e perfumado dentro do coração de alguém. Amor que me transforma na lembrança mais bonita, quando sou ausência. Sim, depois de morrer eu percebo que renascemos cada vez que descobrimos nos olhos de alguém o Amor.
Então Amor, me abraça e me cura dessa falta.  Diminui a distância que nos separa e invade o meu universo, porque ele é território seu. Amor, me sonha como seu eu fosse o seu presente mais bonito. Me entrega a flor que vai enfeitar o jardim que cultivo dentro do meu peito. E me diz que Amor e a Poesia caminham juntos, feito almas destinadas uma a outra. Porque em você, Amor, eu viro poesia. E em você, Amor, eu acredito…

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

.

Eu disse uma vez que pouco importava o que o tempo faria de nós. Um dia nos cruzaríamos. Talvez num supermercado, você com teu filho, eu com o meu. E nesse instante, tudo a nossa volta perderia a importância. Seríamos só você eu mais uma vez.

Cresci assim, com essa paz. E embora nossas vidas tenham tido caminhos contrários, havia essa certeza.
E era nela que eu me agarrava.
.
É que às vezes achava tanto que a gente podia ter um final feliz.
Mas talvez seja nosso destino nos encontrar e nos separar sempre.
Talvez tenha sido assim antes. Talvez seja assim agora.
O que eu sei é que te amar tem sido sempre um não alcançar...
.
Queria que não houvesse porto para ancorar esse barco.
Queria ficar a deriva, em alto mar, sem medo da brevidade do instante.
.
Você ainda me olha.
E eu ainda te quero.
Por isso, apesar de tudo que nos separa, sabemos que não nos desligamos.
Acontece assim, e aí eu não saro.

vou lembrando que sou mansa

Um fio de cabelo branco e um susto. Ele não estava ali ontem. E não é só um, são alguns.
Foi assim que começou o ano.
Com a consciência do tempo em sua metáfora mais delicada. Fios brancos pela primeira vez.

E continuo a mesma. Mas, de repente fica tão mais fácil ser eu.
É que nesses dias tenho achado que tudo converge, que o universo só faz é aproximar. Aos 43 anos vou lembrando que sou mansa, que valorizo um olhar, que adoro falar através de músicas, que sinto ciúmes, e que quero ficar perto, bem perto, de preferência do lado de dentro de quem amo.
Lembro que o ser humano é gregário, e que no fundo, adoro pertencer.
Do jeito bonito que consigo.

Porque mesmo que dure só um instante, agora é justo o instante que dura para sempre.

Gosto de gente assim, que sabe ser para o outro.

Gosto de quem ainda tem essa boa fé, de quem se dispõe a amar, de quem tem este bem estar interno.

Porque gostar é ter essa falta de egoísmo, essa coragem de se entregar, de oferecer, de querer o bem. Gostar é cantar, é declarar, é revelar... é ter um fogo no peito e uma brisa na cabeça...


E de pensar que eu quase já nem lembrava dessa alegria...

É que de vez em quando a gente precisa de uma música dessas ao pé do ouvido, a gente precisa de um abraço de alguém que nos diga que vamos encontrar uma maneira de sorrirmos juntos.

Quando estou assim, cabe tudo em mim...

domingo, 29 de janeiro de 2012

ensaio sobre o amor

Dos meus olhos escorregam lágrimas gordas, choro, mas sem arfar.
O pulmão é calmo, a cabeça também. É o peito que dói.
Dói esse doer tão lindo, esse querer, esse nó, esse embrolho...

Achei que sabia das coisas...
Achei que era tão vivida, que minha vida era tão cheia de histórias...
Mas, e agora ?
E agora que eu descobri que nada sei ?

Paro um instante. Quero rearranjar os pensamentos.
Você está lá, e então não organizo nada. pelo contrário, tudo sai do lugar.
E é tão lindo.
Lindo porque nem ligo para as probabilidades, porque ignoro o oceano, rio do tempo...
Lindo porque já nem sei como eu era antes.
Porque não sei explicar. Nem controlar.

O amor é esse medo.
Essa delícia.
Uma agonia febril, um rio perene, um paradoxo.
E agora acordo desafiando o impossível.

E fico tão vulnerável, como se me despisse no frio...
Sim, tem a beleza do sentir, mas tem também a pele que queima, que sangra, que dói.
Já não me protejo mais.
Não dá. Não sei.

E nem ligo.
Não ligo para mais nada.
É como disse lindamente Miguel E.C., e como fez música Chico Buarque : "é como estar doente de uma folia..."

Afinal, o amor é uma coisa, a vida é outra.

E te amo.
E é tão maior do que eu...
(solange maia )

como quando eu era menina.

Ele é um homem. Maduro.
Sou uma mulher. Madura também.

Já temos filhos, histórias, experiências.
A vida e o corpo marcados pelos caminhos percorridos.

Mas diante do susto do bem querer somos tão vulneráveis...
somos exatamente como éramos quando meninos...

O amor não contém o trêmulo da voz. Tem os olhos envergonhados, a insegurança dos bons, a sede de quem vai beijar pela primeira vez na vida...

E nem todos esses anos são capazes de mudar isso.
Amar é estar criança.
( solange maia )

do que não me serve mas.

..que as coisas têm fim e vão acabando silenciosas e delicadamente, quase sem que a gente perceba, isso eu já sei. Não é a primeira vez. Mas é que de vez em quando a gente esperava mais do que palavras educadas e vazias. É triste, eu sei, como um céu sem nuvens, de um azul tão só que chega a doer na gente. Mas passa, e logo a gente volta a sorrir.

Um sorriso discreto, mas de verdade.

Conquistado a duras penas. Porque tenho um coração enorme, e muito amor para dividir.

Mas não me venha com tolices, tem amor que não me serve mais !
(solange maia )

quando sorrir é inevitável

Sorrir é quando a gente faz poesia com a cara, é quando confessamos as alegrias da vida sem precisar de palavras, quando chegamos mais perto do coração. E, nestes dias, tenho aprendido que a falência do sorriso antecipa a da vida, que sorrisos sinceros não se soltam ao vento, que sorrir é uma atitude, e se for da gente mesmo, é ainda mais, é uma virtude.

E, vamos combinar, nada ilumina mais a vida da gente.

das vezes que volto pra mim

Deixei poucas pessoas conhecerem a mulher que me habita. Essa de verdade, cheia de imperfeições e desordens íntimas, mas que carrega mais ternura do que se pode imaginar. Eu e meus olhos atrevidos, minha fome de amor, e essa fragilidade engraçada de quem quer ser a protagonista de um sonho bom.

Não que eu quisesse um compromisso com a eternidade, mas poucos souberam do meu corpo, das minhas marcas, das manhãs de preguiça e do rosto sem maquiagem. É que preciso acreditar para me mostrar. Porque se mostro meus medos, minhas incoerências e fraquezas, e só o que consigo é uma rasteira, fico tão desabitada.

Sou uma cidade vazia.

Acho que é por isso que por muito, muito pouco, fecho a porta e volto para a minha vida.
( solange maia )

pegação

Definitivamente prá mim não dá ! Acho que não sou moderna nessas coisas de sentimento.
É claro que nem tudo precisa ser romance, mas pelamordedeus, não quero ser “peguete” de ninguém. Esse negócio de qual é o seu nome, você me beija, a gente se aperta, e depois já era, ou de quem chegar primeiro, leva, não mesmo. Meu coração não quer.

Tenho a alma esfomeada. Gosto de laços afetivos, de dias seguintes, daquela intimidade conquistada com o tempo.
Acho bonito quem tem vontade de amar. Porque não é nada fácil, eu sei...
E, tem coisa melhor do que uma pegação com desejo do corpo e também dos outros sentidos ? Com troca de olhares e aquelas palavras só nossas ?

Se não for assim, tudo bem, fico com a minha solidãozinha...
Prefiro ser fora de moda !
(solange maia )
.

e voce virou abóbora

No dia seguinte você não estava lá.
Você e tuas mãos que eu desejava tanto.
Você e tantas coisas a serem ditas, mas que nunca tivemos tempo.
Você e a incrível habilidade que tem de me fazer sentir habitada.
Acho sempre que do seu lado existo mais.

Nossa história era de um querer antigo.
Tantos anos, tantos descaminhos.
E tudo o que eu achava estar perdendo por medo de que no dia seguinte você não estivesse mais lá.

E eu estava certa.
Você não estava.
( solange maia )

dói sim

Dói sim.
Afinal, equilibrava-me entre febres e frios.
Algumas coisas não podem ser mudadas. Nunca.
Dói sim. É natural.
Mas impressionava-me com a duração daquela dor.

Não eram choros sem proporção, músicas tristes e remedinhos para dormir.
Era um instante.
Desses de fechar os olhos e fazer um pequeno balanço.
Prá muita gente pode ser besteira, mas é que sou feita de alegrias.
E na dor, eu não sei...
Não sei ficar.
( solange maia )

vontade inconformada de voce

É estranho, mas meus olhos não eram famintos.
Nem medrosos, ou tampouco tímidos.
Não que eu não te desejasse, ou que não tivesse receio de que você não me quisesse, ou ainda que eu não corasse enquanto você fitava meus olhos que tudo revelam... Mas é que sempre que te vejo quero mais do que só o instante.
Então vivo com essa vontade inconformada de você.
E em cada curva dessa história tenho a impressão de que vou mais só... embora sinta que só eu sei derreter tua neve...

Acho que é por isso que te espero.
E enquanto esse tempo não chega, sigo caminhando.
Sigo porque todo amor é caminho.
( solange maia )

nenhum ruído

Prendi a respiração e fiquei em silêncio. Nenhum ruído.
Tudo calmo.
Sim, parece que lá dentro as coisas começaram a fazer sentido. E, o melhor, sem que eu precisasse me preparar para isso.

Não houve planejamento, intenção ou esforço.
Aconteceu. Foi simples, adulto, sereno.

E agora minhas manhãs já não são as mesmas. Acordo com uma alegria nova, um friozinho na barriga e um punhado de planos.
O tempo me atravessa, e pela primeira vez sinto-me alcançada. Ouço Vivaldi e tenho urgências, sobretudo uma : ser feliz.
Talvez o amor seja assim.
Porque onde quer que alcance minha visão, vejo a ti.
( solange maia )

fantasio...fantasio...fantasio

Eu te imagino tanto, e com tantos detalhes que já sei de cor os teus caminhos, conheço de ti cada pinta, cada ponto, cada canto.

Acendo velas e vejo as rendas que suas sombras desenham nas paredes do quarto enquanto finjo dormir só para poder te sonhar. Mais.

Tranço minhas pernas nas tuas, nuas, enquanto deslizo as mãos suadas por tuas costas, desenhando espirais. Fico tonta, é tanto...

Lambo, sopro, cheiro...

Quero mais, mas amanhece... e o sol pinta o quarto todo de cores claras. Claro, preciso acordar.

Preciso. Mas não quero...
( solange maia )

quem é dono de quem

De vez em quando acho que a vida é que faz as escolhas.
Embora achemos quase sempre que somos nós.
Vivemos a ilusão de que podemos ir por outra estrada, mas não será a “outra estrada” o tal caminho que já era o nosso ?
Não sei...

De qualquer forma gosto do que sei que posso modificar. E, se posso acordar uma pessoa melhor, aumentar meu sorriso, enternecer meu olhar, melhorar minhas ausências, e clarear o que de mim é vago, posso então escolher o que fazer com o que vida me dá.
O que já está de bom tamanho.
O que já me põe na estrada outra vez...
( solange maia )

do que alterna em mim

Alterno entre o encantamento e o desejo.
É que não sei fazer poesia quando faço amor.
E o que eram linhas lindas falando da tua imensidão, agora são só rabiscos.

Sinto como se teus braços circundassem minhas pernas, e perco o equilíbrio.
Agora o corpo já não me comporta, tonto, entre tantas febres e frios.
O coração bate forte, mergulhado na esperança de dias infinitos de você. E me engana.
Do nada volta a bater manso, como se dissesse o teu nome.

Alterno entre o acolhimento e a lascívia.
É que nas vezes em que passa tuas mãos entre minhas coxas,
derreto o verbo e o que era tão consistente se desfaz.
É... minhas palavras dissolvem diante de ti...

( solange maia )

pra voce minha filha

Quero que saiba sobre o amor, filha.
E saiba não só por ter me ouvido falar. Quero que o perceba, que apure sua alma, que ele esteja em nossas conversas, no nosso silêncio, no entorno, ao redor... no ar que você respira, e nos horizontes que você vê.

Porque quando de verdade, o amor escapa pelos olhos.
E nos dá a chance de um recomeço, sempre, a despeito de nossas escolhas enviesadas.
O amor é assim: aliado da coragem.
Duplica, triplica, e só faz aumentar a vida da gente...

ainda vou te amar.

Escorrego as mãos por mim, percorrendo os caminhos que suponho que vá trilhar. Deslizo-as no sentido contrário aos pêlos, é assim que arrepio. E falta-me o ar... falta-me desde o baixo ventre. Experimento meu corpo, toco suavemente a pele, fico mais densa, me liquefaço... Tento imaginar se é assim que caminharias por mim.

Sinto tremer as pernas e fecho os olhos. É como se assim eu pudesse te trazer para perto, mais ainda... para dentro.
Como se eu pudesse sentir a proximidade dos teus olhos, da tua boca, da tua pele.
E quando teu corpo inteiro estivesse em mim, lá dentro veria acender um candeeiro anunciando que amo todas as tuas delicadezas... mas que naquele instante queria mesmo era o peso das tuas mãos em mim. Firme e viril.

É que preciso.
Porque depois do sexo, ainda vou te amar.
Porque depois do sexo, sei que vou te desejar outra vez...
.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

a gente só queria um amor.

Deus sabe que o que eu quis sempre foi amor.
Que só precisava de um hálito quente e braços macios. De colo e chocolate. E presença, daquelas que não deixam a desejar, completas.
Eu só queria era escrever coisas e enviar a alguém, mesmo que para morrer de arrependimento logo depois.
E me expor, até o último fio de cabelo, em nome dessa minha parte tão sensível que cisma em amar  com tanta urgência.
Ele sabe, sabe que eu sou bem mais que esses fios de cabelo amarelados e que não escolheria escrever se pudesse sentir diretamente. Mas não. Eu ainda não aprendi a sentir sem etapas, num gole só.
 Sempre soube disfarçar, que é para não machucar muito. Mas por trás desse meu silêncio há um canto desesperado, uma fraqueza que esse ar frio não deixa ninguém ouvir. Porque isso congela tudo, por fora e por dentro.
Mas tudo o que eu queria era mãos dadas. Alguém que soubesse ser. Que me fizesse gostar disso. Me deixasse bamba. Com flores em Agosto e sorrisos de presente. Além de um Setembro mais doce e aquela falta de ar. Sem vergonha nenhuma, mas com vontade. Com uma vontade imensa de beber, comer, pensar amor.  Sabendo que amor é amor e chega de conversa.
O que eu queria era um natal com muito vermelho e a esperança de uma coisa boa acontecer.
Tudo o que eu quis, Deus sabe, sempre foi amor.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Ana Jácomo

Há saudades que caminham comigo aconchegadas num lugar gostoso que a memória tem. Sei que estão lá, mesmo quando demoro um bocado de tempo para apreciar as histórias que me contam. São porta-jóias que guardam encantos que não morrem. Caixinhas de música, que, ao serem abertas, derramam melodias que me fazem dançar com elas de novo. São saudades capazes de amenizar o frio de alguns instantes com os seus braços de sol.

Mas existem também saudades que pousam no meu coração de vez em quando e ficam de lá me olhando com aquele olho comprido do quer escuta. Não falam de lugares, pessoas ou épocas da minha vida. São espelhos que não refletem feições conhecidas. São saudades que entornam perfumes que somente a alma reconhece. Que sobrevoam regiões por onde apenas as emoções caminham. Que destampam ausências que a gente algumas vezes prefere ignorar.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Talvez eu tenha mesmo uma visão equivocada a respeito dos sentimentos. Já que não faço a mínima questão de ter alguém morrendo de amores por mim. O que eu quero mesmo, é alguém que viva de amores por mim.

Dor? Ah não dor. Não bate na porta da minha casa hoje. Nem do meu quarto porque é tudo tão pequeno, tem coisas coloridas lá, não te cabe e nem combina. Não bate na porta do banheiro, detesto chorar na hora do banho, sair com a cara toda inchada. Não bate na minha cara, preciso sair esta noite bem bonita. Não me bate aqui no peito não, meu coração já está todo torto usando muletas, faixas e algodão. Não dorzinha, vai dar uma voltinha, vai lá ver se eu to na esquina, vai.

Não fui feita de buracos. Não existe garagens em meu peito, esperando alguma coisa estacionar. Ninguém me entra por que há necessidade. Nunca há. Não sou casa para alugar. Não preciso de ninguém para viver, mas para que a vida tenha algum sentido. Para que as horas não signifiquem apenas morrer um pouco mais.
Em mim não há comportas com hora certa para abrir ou fechar. Não há escolhas ou qualquer coisa racional. Os amores me chegam sem aviso, se estendem e acabam por ficar, meu peito deve ser confortável para abrigá-los, por isso eles se acumulam em mim. Não me sinto um coração vadio. Sorte a minha, tê-lo tão obeso, não obsoleto e sem um medo qualquer de amar.

Não era qualquer coisa que iria endireitar meu espírito. Nem qualquer sacanagem que me encantaria. Ou qualquer meio beijo que me faria ficar. Eu precisava de outras coisas pra topar fechar os olhos e pular no abismo de alguém. Precisava de céu que significasse mais do que um azul infinito, precisava entender porque eu queria tanto ver o mar. E precisava de alguém que não quisesse fazer meu coração em picadinhos pra caber no próprio peito, e aceitasse ele inteiro, gigante.

Eu sei que sonhar com o encontro dos nossos cílios e do calor da ponta dos nossos dedos, é sonhar. Mas, ter no peito esta esperança bonita esteve me livrando de constantes pesadelos. Eu repetia seu nome separando as sílabas pra que a felicidade durasse mais um pouco. E gostava de dizer – obrigada – porque você foi presente bonito que findou a vertigem me transformando em pássaro no meio do nada.

Você fala comigo e o mundo vira qualquer outra coisa que não faz a menor diferença. Não há calor, não há frio, não há vontade qualquer de me alimentar que não seja das tuas coisas. Eu queria ser você. E ter teus olhos profundos e a tua risada exagerada. Porque todo mundo te adora e adora o jeito que só você tem de sorrir. E eu fico morrendo de orgulho repetindo que você é meu e ninguém sabe, nem mesmo você sabe. Eu sei.

envelhecer

Nunca tive medo de envelhecer. De ver as mãos enrugar em sabedoria. Dos cabelos ficarem brancos como as nuvens que embelezam o céu. Nunca tive medo das pernas não terem força depois de ter corrido tanto por uma longa vida feliz. Nem da visão ficar turva pra guardar apenas na memória a beleza das flores. Envelhecer, pra mim, é presente de Deus.
Meu medo é de dormir no amor, e vê-lo amanhecer velho. Da paixão esquentar o sangue durante à noite, e amanhecer velha. Medo da esquizofrenia das palavras envelhecidas em mim e nas pessoas. Medo de que a minha esperança sofra do mal de Alzheimer, e se perca por aí. Medo do coração enrugar de propósito, pela resistência ao amor, à generosidade, à afetividade e a fé. Minha maior tristeza é de ver envelhecer em mim vontade de ser constantemente melhor para àqueles que merecem que eu seja. De não reconhecer minha felicidade no espelho. Que meu respeito e amor próprio precisem de muletas, de óculos de grau e de cuidados especiais de enfermeiros.
Tenho medo de ver envelhecer em mim a coragem de cumprir meus objetivos. De que esta mesma coragem permita que fios de cabelos brancos seja uma desculpa para não sair mais de casa. Medo de que a minha alegria perca a visão aos poucos, de que a minha imaginação sofra de Parkinson, e assim, trêmula, desista de existir.
Tenho medo da velhice da educação e do respeito entre as pessoas. De que estas coisas fiquem preguiçosas e não queiram se manifestar.
Mas, envelhecer com o tempo entregue por Deus, não temo. Quero ver os filhos dos meus filhos brincando com a minha lentidão nas pernas e com minhas gargalhadas tranqüilas. E, que o mesmo tempo que vier me tirar as cores dos cabelos e a firmeza nas palavras, não me impeça ser sempre uma criança na alma.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

estou fora de moda

Acho que perdi o jeito. Estou fora de moda.

Entendia mais o mundo quando namorar vinha depois daquele período doce chamado conquista. A atmosfera era de encantamento e os lábios tão cheios de beijos. A gente falava macio e se experimentava no outro, com delicadeza... mordíamos os lábios entre a timidez e o desejo... e sabíamos nos derreter no olhar do outro.
É claro que tínhamos mãos sacanas, a pele quente e um mundo inteiro de vertigens. Mas era mais do que só tesão e sexo seguro.

Hoje o mundo aí fora é tão cheio de poses e efeitos. Um encurtamento do prazer, um esforço para “causar”, uma pressa sei lá do quê...
Devo mesmo estar fora de moda.
É que gostava tanto de quando não éramos tão descartáveis...

de gente perfeitinha,já deu

Ontem alguém me perguntou o que eu busco.
Ser feliz - foi o que eu disse.
Mas quero dessas felicidades livres, sem a rigidez dos estereótipos, aquela de sorriso largo, de alma boa, de discurso franco.
Sou avessa às formalidades.

Quero gente de verdade, descomplicada, com aquela normalidade quase esquecida, com medos e imperfeições, mas também com sonhos e arrojos, e que desafiem a matemática das aparências.
Porque de gente perfeitinha, já deu.

E assim como Manoel de Barros, acho que a maior riqueza do homem é sua incompletude...

chão de terra batida.

Sei que em Portugal, houve um tempo em que as pessoas faziam suas próprias casas, e, quando acabavam de construí-las, antes de começarem a habitá-la, convidavam os parentes e vizinhos para uma festa. Um baile com muita música e dança.
O propósito dessa festa era que os pés dos dançarinos compactassem bem o chão.
Não canso de pensar na beleza dessa tradição.
Certamente as casas ficavam benfazejamente contagiadas.
Imagine só : uma casa dançada !

á deriva.

Queria ter te conhecido em outro tempo, talvez quando eu nem percebesse os labirintos do querer.
É que um pedacinho teu, conta uma história inteira.
E essa história tem me esgotado, porque queria ver em você um cais, mas não, você é navio no mar.
À deriva.
E se fico na margem, perco você.
Se me jogo na água, desgarro também.
Cansei de ver tudo afogar.
Queria ter te conhecido antes, quando eu ainda tinha fôlego.

É que tem doído em mim esse tanto de horas longas quando você não vem. E, de qualquer maneira, não quero mais.

diante da dor.

Perder sempre dói.
Mas tenho aprendido que é dentro da gente que encontramos o acalanto para essas horas, na sombra da vegetação interna, é nela que nos agarramos.
Se por dentro formos resumidos, não há onde se amparar.
É por isso que, diante da dor, a gente vê nascer força tão grande em pessoas que pareciam tão frágeis. Porque têm floresta imensa por dentro.
E quando providos assim, perder, de alguma forma,

vira ganhar.

de quando a gente ve o tempo passar.

Estou mais velha.
Minha pele já não é mais a mesma, nada é tão firme... mas, em contrapartida, acho que fiquei mais macia, menos rígida, meu lado de fora mais parecido com meu lado de dentro. Tenho texturas mais delicadas, embora eu seja hoje tão mais consistente.
Os anos me tornaram mais tolerante, menos pretensiosa, mais feminina...
E... sem aquela velha “sensação de poder” tenho me percebido tão mais a vontade !

de quando viro mel.

Você, com sua delicadeza extremada, vai me desconstruindo, tirando de mim as camadas ácidas, me esvaziando das verdades que nem existem, me fazendo ser mel. E nem vê a desordem que há em mim, ou, talvez nem se importe...

Só sei que volto a ficar parecida comigo, que ando as voltas com imensos e sinceros sorrisos.
Viro minha definição mais próxima da verdade.

E é exatamente por isso que te amo.
Você me SIMPLIFICA.

Então, por favor, não se desfaça de mim...

O amor quer ser acolhido.
Finalmente reconheço.
Mas a coisa não é tão fácil assim.

O amor faz fila dentro da gente, querendo ser sentido, mas a gente disfarça, muda o foco, pula essa parte... porque amar nos torna absurdamente vulneráveis, e pode ser um erro se não for correspondido, e durar pouco e deixar a gente arrebentada depois, pode ser só tesão disfarçado, desse que quebra fácil, ou pode ser uma invenção bonita da nossa cabeça...
O fato é que a gente racionaliza o amor.
E assim ele dificilmente acontece.
Tão obvio e tão dubitável.

Porque o amor precisa de abrigo.
Quer ser protegido.
Começo o ano, então, com uma premissa :
O amor precisa de um crédito.

 
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