domingo, 28 de junho de 2015

TARDE GÉLIDA
A tarde estava gélida, como eu. Enrugado pela pedra de gelo a que muitos chamam coração, saí porta fora. Sentei-me no teu cantinho, aquele cantinho que tu tanto amavas, onde tanto tempo passavas. Tantas foram as vezes que eu chamava pelo teu nome, todas as foram as vezes que me respondeste afirmativamente. Não foi justo partires antes de mim, de todo, logo tu que amavas a vida, o teu tricot, os teus filhos, os teus netos… e a mim. Hoje a melancolia parece ter tomado conta de mim, como nunca, talvez por ser dia do teu aniversário, talvez por este ser um dos dias em que, não fosse eu cobarde, e tudo faria para ir ter contigo, onde quer que estejas. Sento-me aqui, naquele banco à saída da porta da cozinha, e olho o teu lugar vazio, como eu.
Texto: Paulo Costa

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