Despeço-me para não ter que sentir ausências. Despeço-me antes do adeus inevitável. Digo que vou antes de perceber a partida contida na tonalidade da face, no ensaio dos pés e na inconsistência do olhar. Despeço-me fingindo um riso e solto a mão como quem se prepara para um voo. Fujo sorrateiramente antes da saudade aparecer. Coloco um ponto final por não saber nenhuma invencionice que consiga sarar rapidamente o que se fez oco inabitável daquilo que cessou sem minha autorização. E vou, desejando voltar.
Ita Portugal
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
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