que eu acordo e, de verdade, pouco importam as minhas dificuldades, sejam elas
até já desgastadas pelo tempo, sejam elas viçosas, recentemente inauguradas,
tudo me parece perfeito. Tudo é como pode ser agora, eu estou onde consigo
estar, o tempo das coisas é o tempo das coisas, e isso vale também para cada
pessoa que compartilha a sala de aula comigo.
Tem dia em que eu acordo e
faço contato com uma gentileza tão linda que desconhece essa história de acertos
e erros, sejam meus ou alheios, viver é trabalhoso e todo mundo se atrapalha, de
um jeito ou de outros. Toda gente só precisa de consciência, cura e amor. Toda
gente só quer ser feliz. Não há motivo para pressa e também não há estagnação,
eu permito que a vida possa simplesmente fluir, sem tentar, em vão, amarrar ou
alterar o jeito de dizer das suas ondas.
Este sentimento pode durar
poucos quarteirões do dia, um monte deles, até mesmo só alguns centímetros de
passo, enquanto dura é absoluto. E eu me sinto feliz e grata por tudo, vejo
amor, mestria, chance de aprendizado, em cada ínfima coisa que me acontece.
Ainda que chova, e às vezes chove muito, a memória da ternura luminosa e
imutável do sol faz eu lembrar da natureza preciosa da vida. O sol não vai a
lugar nenhum, ele fica exatamente onde está, mas a nuvem, a chuva, sempre
passam.
Tem dia em que eu acordo lindeza e coloco bobagem pra dormir
porque a nítida prioridade é a harmonia do meu coração, o
contentamento natural capaz de me nutrir, proteger e me ajudar a seguir. Este
sentimento pode durar poucos quarteirões do dia, um monte deles, até mesmo só
alguns centímetros de passo, enquanto dura é lembrança da realidade divina
perene que é sol por trás da temporária nuvem, da temporária chuva, que possam
molhar os olhos da personagem. Enquanto dura é alegria e descanso e eu lembro do
que, de verdade, me importa.
Autoria: Ana Jácomo
sexta-feira, 9 de maio de 2014
tem dias...
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