quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Sou de vinte segundos de modernidade e uma eternidade dos velhos tempos. Eu sou porque eu sei que o mundo era melhor no tempo em que eu usava franjas, pulava o muro, brincava com as coisas da vida e tinha medo de lobisomem. Sou do afeto que me destinei. Do meu cotidiano. Sou do dia atarefado. Da noite escura. Do infinito do mar.


Sou da ilusão. Das confusas idas e vindas. Da insistência pela história. Sou de acreditar. De me perder nos romances. De entregas e depois arrependimentos. Sou da saudade dolorida. Das esperas angustiantes.


Sou da minha vasta imaginação. Da sobrevivência. Das tristezas ocasionais. Das perguntas sem respostas. Das respostas sem perguntas.


Sou dos planos sem motivos. Sou de tudo e às vezes do nada. Da fuga por medo. Da razão por obrigação. Da reza por devoção. Da fé por oração. Sou do que valeu a pena. De momentos eternos. Das lembranças. Sou sem vergonha de ser.

  Eu sou porque sei lá, Deus decidiu que eu fosse assim.

Ita Portugal

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