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O mundo que me cabe
Eu carrego o mundo onde não cabe nos meus sonhos. Carrego as doçuras,
mas também as indecisões. Carrego alegrias que se misturam com as dores.
E é disso que minha vida é feita, de tudo e mais um pouco e eu me
esbaldo nestas coisas e fico tecendo uma colcha que me defina.
Tenho uma alma criança e vou continuar assim. Gosto de abraços
apertados, sentir a alegria por completo, inventar o mundo, reinventar
amores, misturar os sonhos em realidade.
Gosto de tudo ao meu modo e
assim reinvento e costuro todos os meus pensamentos. O simples me
fascina, o difícil me aborrece. Para mim o mundo é enorme e não entendo
como as coisas envelhecem e o planeta gira e o amor daqui é igual em
todo lugar. Bom, entender eu até entendo, mas algumas coisas eu acho
complicadas demais, por exemplo: como pode o mar ser tão grande, o mundo
ser colorido e o sol aparecer justamente quando a lua vai embora?
Quem inventou a saudade? Como se faz para tocar a alma? Tem coisas que
para mim precisam ter explicações, mas também se não tiverem vou
continuar tentando entender. Tenho um coração maior do que eu, maior que
meus sonhos. Parece que ele mesmo nem cabe em mim. Nunca sei a altura
de minha risada quando estou feliz nem o tamanho de meus sonhos. E por
falar em sonhos, sonhos pra mim é aquilo que vou realizar quando eu
rabiscar meus desejos no papel e eles saírem correndo direto para meu
coração. E olha que tenho muitos sonhos que rabisco, leio, releio, prego
na parede para eu olhar todos os dias e lembrar que ali estão os meus
desejos mais secretos.
Ita Portugal.
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