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Eu
poderia ter gritado mais alto, mas nem sempre o desespero exige a
palavra ou o tom grave que agride os sonhos que dão adeus. As malas
cheias de roupas e decepções. Por que nenhuma salvação a tempo? Por que
nenhum gesto voluntário de desculpa? Aí se foram as canções que Chico
nos cantava pela manhã, aí se foram os sons dos nossos movimentos pela
casa, aí se foram as melodias que o vento criava em nossa janela, aí o
bipe da campainha começou a desafinar, aí tudo que tinha sintonia e
harmonia já não mais existia. E na despedida se conhece um novo som, de
significado e que ecoa: as portas batendo em tom de nunca mais.
- Cáh Morandi
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