"Certa
vez houve uma inundação numa imensa floresta. O choro das nuvens que
deveriam promover a vida dessa vez anunciou morte. Os grandes animais
bateram em retirada fugindo do afogamento, deixando até os filhos para
trás. Devastavam tudo o que estava à frente. Os animais menores seguiam
seus rastros. De repente uma pequena andorinha, toda ensopada, apareceu na contramão procurando a quem salvar.
As hienas viram a atitude da andorinha e ficaram admiradíssimas.
Disseram: “Você é louca! O que poderá fazer com um corpo tão frágil?”.
Os abutres bradaram: “Utópica! Veja se enxerga a sua pequenez!”. Por
onde a frágil andorinha passava, era ridicularizada. Mas, atenta,
procurava alguém que pudesse resgatar. Suas asas batiam fatigadas,
quando viu um filhote de beija-flor debatendo-se na água, quase se
entregando. Apesar de nunca ter aprendido mergulhar, ela se atirou na
água e com muito esforço pegou o diminuto pássaro pela asa esquerda. E
bateu em retirada, carregando o filhote no bico.
Ao retornar,
encontrou outras hienas, que não tardaram muito a declarar: “Maluca!
Está querendo se heroína!”. Mas não parou; muito fatigada, só descansou
após deixar o pequeno beija-flor em local seguro. Horas depois,
encontrou as hienas embaixo de uma sombra. Fitando-as nos olhos, deu a
sua resposta: “Só me sinto digna das minhas asas se eu as utilizar para
fazer os outros voarem”.
Do livro O Vendedor de Sonhos.
Augusto Cury
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
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