"Tudo
o que lhe peço, Tempo, é que me salve do meu coração. Dessa entrega
absurda de ir até o outro e me deixar sem mim. O que lhe peço, Tempo, é o
caminho do meio. Aprender a receber antes de me entregar. Ver além.
Peço que me devolva a mim mesma. Que eu me reconheça e me acolha. Me
aqueça em meus buracos escuros e definitivamente me toque. Que eu saiba
cuidar somente do que me cabe. E deixe
ir. E deixe vir. Natural, inteira e suavemente. Que a vida me encontre
distraída, sem a ânsia de buscar o que não sei. O que não vale. O que
não é. O que lhe peço, Tempo, é a aceitação do tempo e da vida como ela
é. Sei que ela me aguarda plena e legítima. Mostre a ela o caminho até
mim. Enquanto isso, me adormeça em paz até que a verdade me alcance como
um beijo. Tire de mim essa ânsia de ser feliz, inverta a ordem das
coisas e assopre no ouvido da alegria o momento de me capturar sem
volta. Que eu me aquiete na paz do merecimento, sem dar um passo ou um
pio. Que apenas contemple. Que eu resista à tentação de correr para o
que ainda não está pronto. Que eu me apronte para a surpresa de um dia
simples. Que eu acorde como quem nasce. Amém!"
(Oração ao Tempo
domingo, 29 de setembro de 2013
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