Se eu fosse uma flor, eu queria ser uma flor amarela. Super viva. Tipo
margarida, só que bem longe das mãos dos amantes que insistem em
despetalar suas pétalas na ânsia de repostas amorosas. Já ia logo
gritando na língua das flores:
_ bem-te-quer, bem-te-quer!
Queria ser uma flor de boas novas. De esperança. De inspiração. De
certezas. De alegrias. De mãos cuidadosas que me regassem e meio que
sossegassem de me ver no jardim. Queria crescer no quintal de dois
amantes felizes que não precisam de vasos para aprisionarem suas
pequenas certezas. Queria significar liberdade. Feito as flores dos
canteiros que minha vó tinha. Flores caipiras, crescendo juntas e
misturadas em tantas formas e cores, enquanto a margarida estava sempre
ali, fazendo moldura para as mais vistosas, como as rosas cor-de-rosas,
os xodós da minha vó.
A manhã nasceu tão linda que senti uma desejo de ser flor. Mesmo que
uma flor do mato, aquela mais miúda de todas, que para se conseguir ver
tem que chegar bem perto, e faz com que corações fiquem comovidos
e deixem até o mato em paz. Sem cortar. Queria uma manhã de flor pra
você. Mesmo que a sua flor não seja eu.
*



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