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POR AMOR
Tinha partido com a esperança de uma vida melhor, nunca mais o vi. Ele
era o homem dos meus sonhos, que conheci em criança e me fez ter
esperança, ser feliz. As nossas famílias eram amigas e vizinhas. O
Leonel trabalha muito mas a vida, por cá, não compensava e foi, para
longe, lá para detrás dos Alpes. Um dia fiz as malas, depois de ler mais
uma carta dele, e fui. Ele sabia bem o amor que eu tinha por esta minha
terra, este meu Douro, mas fui. Tinha esperança de o convencer, e
trazer. Viu-me e gritou: “ANA!!”. Abraçou-me tão intensamente que fiquei
sem ar, ai aquele abraço! Ainda hoje sinto os braços dele no meu corpo.
Ficamos juntos seis meses, fomos tão felizes. Não resisti... faltava-me
este pedaço de terra, como a quem falta o ar. Ele não entendeu, nunca
entenderá (eu entendo-o…), mas o meu peito parecia implodir ao acordar,
com aquele trânsito louco de Paris, pessoas que nunca se cumprimentam, o
caos que a humanidade parece idolatrar. Regressei... à minha aldeia à
beira Douro. Já se passaram vinte anos. Por vezes sonho com ele, que
está a chegar, não resisitiu às saudades. Sonho que, tal como eu,
virá... por amor.
Texto: Paulo Costa
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