sábado, 24 de agosto de 2013

POR AMOR
Tinha partido com a esperança de uma vida melhor, nunca mais o vi. Ele era o homem dos meus sonhos, que conheci em criança e me fez ter esperança, ser feliz. As nossas famílias eram amigas e vizinhas. O Leonel trabalha muito mas a vida, por cá, não compensava e foi, para longe, lá para detrás dos Alpes. Um dia fiz as malas, depois de ler mais uma carta dele, e fui. Ele sabia bem o amor que eu tinha por esta minha terra, este meu Douro, mas fui. Tinha esperança de o convencer, e trazer. Viu-me e gritou: “ANA!!”. Abraçou-me tão intensamente que fiquei sem ar, ai aquele abraço! Ainda hoje sinto os braços dele no meu corpo. Ficamos juntos seis meses, fomos tão felizes. Não resisti... faltava-me este pedaço de terra, como a quem falta o ar. Ele não entendeu, nunca entenderá (eu entendo-o…), mas o meu peito parecia implodir ao acordar, com aquele trânsito louco de Paris, pessoas que nunca se cumprimentam, o caos que a humanidade parece idolatrar. Regressei... à minha aldeia à beira Douro. Já se passaram vinte anos. Por vezes sonho com ele, que está a chegar, não resisitiu às saudades. Sonho que, tal como eu, virá... por amor.


Texto: Paulo Costa

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