Sei
que não, mas não importa. O amor deixa de ser amor se precisa ser
exigido. Não quero pedir qualquer coisa, não quero dizer uma palavra que
demonstre súplica, não confesso mais minhas desesperanças, esta não sou
mais eu. Aprendi a guardar carinho com a infiltralidade das pedras. Na
beira que as ondas batem, se você tentar me pegar, meu limo me desliza.
Veja de longe, uma pedra na mão é uma arma.
Você me quer nas mãos? A você mesmo se fere. Não me ame mais do que
hoje, deixe que eu seja só o que fui até agora. Para ultrapassar
arriscaríamos mudar o destino, e destino não muda trajetória. Por causa
de você desenfeitei minha paisagem, desaprendi o gosto dos domingos. Tua
falta é também minha falta, dividimos agora a ausência. Acho que você
deu muitas palavras que o delírio me deixa em ciclos. Qual foi a última
vez que fomos verdadeiros?
Cáh Morandi



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