Caminho
exaustivamente pelos dias, atravesso a agonia da rotina, sacrifico o
limite, estendo os horários. Percorro os dias e conto as semanas, agora o
tempo é quase pouco. Avisto um bom porto para descansar da viagem,
ancoro. Do céu aberto identifico a árvore, o galho e seu ramo,
recolherei as asas. A distância do meu colo deitado em teu ombro
diminui. O teu cheiro já alerta tua chegada. A realidade se despede para
nos dar o sonho. Amarei fortemente, pois a força é meu descanso. Meu
corpo ocupará o seu no mesmo lugar do espaço, sem física que nos
explique. Juntos nada nos justifica ou questiona, dispensamos as
palavras, importa os lábios. Quase estamos em paz.
— Cáh Morandi
quarta-feira, 17 de julho de 2013
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