"A
impressão que eu tenho é de não ter envelhecido embora eu esteja
instalada na velhice. O tempo é irrealizável. Provisoriamente, o tempo
parou pra mim. Provisoriamente. Mas eu não ignoro as ameaças que o
futuro encerra, como também não ignoro que é o meu passado que define a
minha abertura para o futuro. O meu passado é a referência que me
projeta e que eu devo ultrapassar. Portanto, ao meu passado
eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minhas necessidades, as
minhas relações, a minha cultura e o meu corpo. Que espaço o meu passado
deixa pra minha liberdade hoje? Não sou escrava dele. O que eu sempre
quis foi comunicar da maneira mais direta o sabor da minha vida,
unicamente o sabor da minha vida. Acho que eu consegui fazê-lo; vivi num
mundo de homens guardando em mim o melhor da minha feminilidade. Não
desejei nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos."
Trecho da Peça VIVER SEM TEMPOS MORTOS, inspirada na correspondência de
Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre, com Fernanda Montenegro.
sábado, 20 de julho de 2013
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