segunda-feira, 22 de julho de 2013

22 julho, 2013

Proibido lembrar






Quando eu era pequena, vivia na ponta dos pés espiando e desejando habitar no mundo dos adultos. Na minha incorrigível ideia, adultos sabiam das coisas. Inventavam outras.



Então, cresci. Aprendi tudo dos adultos. Aprendi o que desejava e o que nunca quis. E repeti as lições. Adultos franzem a testa. Criam rugas. Andam apressados. Demoram sorrir. Trabalham o tempo todo. Compram muitas coisas. Guardam em armários. Possuem desejos estranhos. Fazem coisas contraditórias. Engordam. Ficam zangados.



Adultos possuem problemas reais e imaginários. Tomam remédios sem parar e nunca melhoram. Adultos fazem regras e desobedecem as leis.



Guardam dinheiro. Guardam mágoas. Conservam coisas, descartam pessoas.



Adultos são cheios de dúvidas. Complicam a vida. Fazem perguntas e não encontram respostas.



Adultos brigam por seus dilemas. Aventuram-se pelo conforto. Adultos desamparam quem precisa. Desatam laços. Fazem nós nas situações. Querem ultrapassar limites. Cometem loucuras sem motivos. Falam duramente. Ferem sem necessidade. Adultos perdem o juízo, a calma, a alma.



Adultos colecionam medos. Competem inutilmente. Estudam fórmulas, teorias, conceitos, regras e nunca usam.



Adultos ficam tristes por qualquer coisa. Preocupam-se a toa. Choram sem razão. Entopem-se de felicidade provisória. Desiludem-se. Não se entendem. Amam por obrigação. Esquecem por suposições. Machucam por ilusões. Passam adiante as responsabilidades. Esquecem das flores. Afugentam os pássaros. Resumem os carinhos. Dispensam a alegria.



Com os adultos a folia é silenciosa, os palhaços ficam sérios e o circo dorme.



Adultos escolhem pelos olhos e condenam pelo coração. São coisas que aprendi e quero esquecer.





0 comentários:

 
Caminhos © 2007 *Feito por Templates para Você*