Tenho uma particularidade instigante: preciso da solidão.
Gosto de pessoas, preciso delas, não sei viver sozinha. Mas sou mimada,
preciso quando eu quero. Sou egoísta, gosto de ver televisão sozinha,
sem ninguém falando junto. Sou chata, não gosto de dividir banheiro com
ninguém. Sou espaçosa, bagunço as minhas coisas. Preciso da solidão pra
ler, pra olhar para o teto, pra tirar ponta dupla do cabelo, pra fazer
as unhas, pra pensar em tudo, pra fazer nada. Preciso da solidão pra ser
eu mesma. Pra fazer alongamento, rir de mim, chorar comigo. Não entendo
como tem gente que não abre a janela em dias nublados. Eu adoro janelas
abertas, esteja um dia lindo de sol ou um carregamento de nuvens
cinzas. Tenho que sentir o ar que vem lá de fora, seja ele qual for. Com
seu gosto, cheiro, textura. Falo algumas coisas esquisitas como essa,
por exemplo, ar com textura. Conheço cores que ninguém conhece, vejo
alguns filmes que grande parte da população acha tosco. Não gosto de
deixar as coisas pela metade, mas já deixei...
Clarissa Corrêa
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