Eu não sou um rosto, embora muitos
tenham me visto passar. Não sou um corpo, embora muitas peles já tenham
encostado na minha. Não sou nem sequer memórias, pois ninguém há de se
lembrar do quanto amei. Não sou nada, na verdade, nunca cheguei a ser
alguém.. . Sussurro-me depressa, apenas. Sussurro-me por entre o ventar,
que percorre desertos e mares. Um ventar que não temeu passear por teu
corpo e nem ser brisa em teus segredos.
Jamais me fora tido a chance de ver um
amanhecer belo, todos os sóis eram quentes. Coração precisava de
calmaria. Mas fui andarilho, vagando por onde não conhecia, indo de
encontro aos teus abismos que cruzavam os meus... . repetidas vezes tu
me tiveras em suas mãos, corpo, mente e coração. E hoje, mesmo eu não
sendo nada e nem alguém, ainda és tu a dona da minha vaga existência, o
motivo para as minhas poucas palavras, a morada da minha paz em meio as
tuas ausências.



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