terça-feira, 30 de abril de 2013

Eu não sou um rosto, embora muitos tenham me visto passar. Não sou um corpo, embora muitas peles já tenham encostado na minha. Não sou nem sequer memórias, pois ninguém há de se lembrar do quanto amei. Não sou nada, na verdade, nunca cheguei a ser alguém.. . Sussurro-me depressa, apenas. Sussurro-me por entre o ventar, que percorre desertos e mares. Um ventar que não temeu passear por teu corpo e nem ser brisa em teus segredos.
 Jamais me fora tido a chance de ver um amanhecer belo, todos os sóis eram quentes. Coração precisava de calmaria. Mas fui andarilho, vagando por onde não conhecia, indo de encontro aos teus abismos que cruzavam os meus... . repetidas vezes tu me tiveras em suas mãos, corpo, mente e coração. E hoje, mesmo eu não sendo nada e nem alguém, ainda és tu a dona da minha vaga existência, o motivo para as minhas poucas palavras, a morada da minha paz em meio as tuas ausências.

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