quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

As mãos se tocam
Para as pessoas se cumprimentarem
Podem ser pessoas desconhecidas
Podem ser colegas
Podem ser amigos



As mãos são dadas
Para as pessoas se ajudarem
Podem ser pais
Podem ser amigos
Podem ser filhos



As mão são entrelaçadas
Para as pessoas se amarem
Podem ser amores
Podem ser enamorados
Podem ser esposos



Cumprimentamos muitos
Ajudamos alguns
Amamos poucos



Somente entrelaçamos nossas mãos com as de alguém,
quando existe o amor e a confiança



Mãos entrelaçadas é porto seguro
É caminho para o futuro
É amor correspondido

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Deus ainda fala com as pessoas?

Um jovem espiritualista foi para o estudo da Bíblia na residência de um casal amigo.
Era noite de quinta-feira. O casal dividiu o estudo entre ouvir a Deus e obedecer a palavra do Senhor. O jovem não pode deixar de querer saber se "Deus ainda fala com as pessoas?".
Após o estudo, ele saiu para um café com os amigos que estavam na reunião familiar e eles discutiram mais um pouco sobre mensagem da noite. De formas diversas eles falaram como Deus tinha conduzido suas vidas de maneiras diferentes.
Era aproximadamente 22 horas quando o jovem se despediu dos amigos e começou
a dirigir-se para casa. Sentado no seu carro, ele começou a pedir: "Deus! Se ainda falas com as pessoas, fale comigo. Eu irei ouví-lo. Farei tudo para obedecê-lo".
Enquanto dirigia pela rua principal da cidade, ele teve um pensamento muito estranho, como se uma voz falasse dentro de sua cabeça: "Pare e compre um galão de leite".
Ele balançou a cabeça e falou alto: "Deus, é o Senhor?". Ele não obteve resposta e continuou dirigindo-se para casa. Porém, novamente, surgiu o pensamento: "Compre um galão de leite".
O jovem pensou em Samuel e como ele não reconheceu a voz de Deus, e como Samuel correu para Ele. "Muito bem, Deus! No caso de ser o Senhor, eu comprarei o leite". Isso não parece ser um teste de obediência muito difícil.
Ele poderia também usar o leite. O jovem parou, comprou o leite e reiniciou o caminho de casa.
Quando ele passava pela sétima rua, novamente ele sentiu um pedido "Vire naquela rua". Isso é loucura, pensou e, passou direto pelo retorno. Novamente ele sentiu que deveria ter virado na sétima rua. No retorno seguinte, ele virou e dirigiu-se pela sétima rua. Meio brincalhão, ele falou alto:
"Muito bem, Deus. Eu farei". Ele passou por algumas quadras quando de repente sentiu que devia parar. Ele brecou e olhou em volta. Era uma área misto de comércio e residência. Não era a melhor área, mas também não era a pior da vizinhança.
Os estabelecimentos estavam fechados e a maioria das casas estavam escuras, como se as pessoas já tivessem ido dormir, exceto uma do outro lado que estava acesa.
Novamente, ele sentiu algo, "Vá e dê o leite para as pessoas que estão naquela casa do outro lado da rua". O jovem olhou a casa.
Ele começou a abrir a porta, mas voltou a sentar-se. "Senhor, isso é loucura. Como posso ir para uma casa estranha no meio da noite?". Mais uma vez, ele sentiu que deveria ir e dar o leite.
Finalmente, ele abriu a porta, "Muito Bem, Deus, se é o Senhor, eu irei e entregarei o leite àquelas pessoas. Se o Senhor quer que eu pareça uma pessoa louca, muito bem. Eu quero ser obediente. Acho que isso vai contar para alguma coisa, contudo, se eles não responderem imediatamente, eu vou embora daqui".
Ele atravessou a rua e tocou a campainha. Ele pôde ouvir uma barulho vindo de dentro, parecido com o choro de uma criança. A voz de um homem soou alto:
"Quem está aí? O que você quer?". A porta abriu-se antes que o jovem pudesse
fugir. Em pé, estava um homem vestido de jeans e camiseta. Ele tinha um olhar estranho e não parecia feliz em ver um desconhecido em pé na sua soleira.
"O que é? ". O jovem entregou-lhe o galão de leite.
"Comprei isto para vocês". O homem pegou o leite e correu para dentro falando alto. Depois, uma mulher passou pelo corredor carregando o leite e foi para a cozinha. O homem seguia-a segurando no braços uma criança que chorava. Lágrimas corriam pela face do homem e, ele começou a falar, meio soluçando
"Nós oramos. Tínhamos muitos contas para pagar este mês e o nosso dinheiro havia acabado. Não tínhamos mais leite para o nosso bebê. Apenas rezei e pedi a Deus que me mostrasse uma maneira de conseguir leite".
Sua esposa gritou lá da cozinha:
"Pedi a Deus para mandar um anjo com um pouco... Você é um anjo?
O jovem pegou a sua carteira e tirou todo dinheiro que havia nela e colocou-o nas mãos do homem. Ele voltou-se e foi para o carro, enquanto as lágrimas corriam pela sua face. Ele experimentou que Deus ainda responde aos pedidos justos e verdadeiros.

(autor desconhecido)

OLHE AS PESSOAS NOS OLHOS
                
 Diga sempre "muito obrigado."
                 
 Diga sempre "por favor".
                 
 Seja o primeiro a dizer "olá".

Devolva tudo o que pegar emprestado.
                 
Sorria muito, não custa nada e não tem preço.
                 
Lembre-se do aniversário dos amigos.

Quando alguém contar alguma coisa importante que lhe aconteceu, não tente superá-lo.
As pessoas também têm o direito de aparecer.

Jamais prive uma pessoa de esperança, pode ser que ela só tenha isso.

Elogie em público,
Critique em particular.

Não aborreça as pessoas com mais problemas.

Procure reavivar antigas amizades.
                  
Nunca desperdice uma oportunidade de dizer a uma pessoa o quanto a ama.

Nunca subestime o poder de uma palavra ou de uma ação gentil.
                 
Nunca ria dos sonhos alheios.
                   
Em caso de discordância, exponha seus pontos de vista sem pretender
ridicularizar os entendimentos dos outros.
                 
Quando alguém lhe fizer uma pergunta  da qual  não gostaria de responder, sorria e pergunte: "por que quer saber?"
                  
Não admire as pessoas pela sua riqueza, mas pelos meios criativos
e generosos do qual elas dispõem.
 
Não traia nunca uma confidência.
 
Não deixe que uma pequena desavença prejudique uma grande amizade.
                  
Dê às pessoas mais do que elas esperam, e faça-o alegremente.
                 
Lembre-se de que o tempo que leva para que duas pessoas se
tornem amigas  nunca é tempo desperdiçado.

Saiba compreender as imperfeições de seus amigos com a mesma presteza
com que sabe compreender as suas próprias.
                 
Seja aberto e acessível, a próxima pessoa que  conhecer
pode se tornar o seu melhor amigo.
                  
Seja o primeiro a perdoar.
                 
Quando disser "sinto muito", olhe nos olhos.
                 
Quando um amigo ou uma pessoa amada ficar doente,  lembre-se de que
esperança e pensamento positivo são remédios fortíssimos.

Passe a vida levantando o ânimo das pessoas e nunca as colocando para baixo.
                 
Peça desculpas imediatamente quando perder a paciência.
                 
Estimule sempre qualquer pessoa que esteja tentando melhorar,
mental, física ou espiritualmente.
                   
Lembre-se de que o princípio mais profundamente enraizado
na natureza humana é a ânsia por ser apreciado.

QUINDINS NA PORTARIA
Martha Medeiros

Estava lendo o novo livro do Paulo Hecker Filho, Fidelidades, onde, numa de suas prosas poéticas, ele conta que, antigamente, deixava bilhetes, livros e quindins na portaria do prédio de Mário Quintana: "Para estar ao lado sem pesar com a presença".   Há outras histórias e poemas interessantes no livro, mas me detive nesta frase porque não pesar aos outros com nossa presença é um raro estalo de sensibilidade.
 
Para a maioria das pessoas, isso que chamo de um raro estalo de sensibilidade tem outro nome: frescura.
 
Afinal, todo mundo gosta de carinho, todo mundo quer ser visitado, ninguém pesa com sua presença num mundo já tão individualista e solitário.
Ah, pesa. Até mesmo uma relação íntima exige certos cuidados.
 
Eu bato na porta antes de entrar no quarto das minhas filhas e na de meu próprio quarto, se sei que está ocupado.
Eu pergunto para minha mãe se ela está livre antes de prosseguir com uma conversa por telefone.
Eu não faço visitas inesperadas a ninguém, a não ser em caso de urgência, mas até minhas urgências tive a sorte de que fossem delicadas.
Pessoas não ficam sentadas em seus sofás aguardando a chegada do Messias, o que dirá a do vizinho.
Pessoas estão jantando.
Pessoas estão preocupadas.
Pessoas estão com o seu blusão preferido, aquele meio sujo e rasgado, que elas só usam quando ninguém está vendo.
Pessoas estão chorando.
Pessoas estão assistindo a seu programa de tevê favorito.
Pessoas estão se amando.
Avise que está a caminho. Frescura, jura? Então tá, frescura, que seja.
Adoro e-mails justamente porque são sempre bem-vindos, e posso retribuí-los, sabendo que nada interromperei do lado de lá.
Sem falar que encurtam o caminho para a intimidade.
Dizemos pelo computador coisas que, face a face, seriam mais trabalhosas.
Por não ser ao vivo, perde o caráter afetivo?
Nem se discute que o encontro é sagrado.
Mas é possível estar ao lado de quem a gente gosta por outros meios.
Quando leio um livro indicado por uma amiga, fico mais próxima dela.
Quando mando flores, vou junto com o cartão.
Já visitei um pequeno lugarejo só para sentir o impacto que uma pessoa querida havia sentido, anos antes.  Também é estar junto.
Sendo assim, bilhetes, e-mails, livros e quindins na portaria não é distância: é só um outro tipo de abraço.

Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor mas ... permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sózinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. ( Então fique comigo quando eu chorar, combinado?). Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.

Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ... Goste de música e de sexo. goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua familia... isso a gente vê depois ... se calhar ... Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos ... me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar ... experimente me amar!


Autoria de Martha Medeiros

domingo, 21 de fevereiro de 2010

AMOR- (Lia Luft)

A solidão dos homens tem a medida da solidão de suas mulheres. O casal
perfeito seria o que sabe aceitar a solidão inevitável do ser humano, sem
se sentir isolado do parceiro ou sem se isolar dele.
Talvez se possa começar por aí: não correr para o casamento, o
namoro,o amante (não importa) imaginando que agora serão solucionados ou
suavizados todos os problemas como a chatice da casa dos pais, ver as amigas
ou amigos casando e tendo filhos, a mesmice do emprego, chegar sozinho às
festas e sexo difícil e sem afeto.
Não cair nos braços do outro como quem cai na armadilha do "enfim nunca mais
só!", porque aí é que a coisa começa a ferver.
Conviver é enfrentar o pior dos inimigos, o insidioso, o silencioso, o
sempre à espreita, incansável: o tédio, o desencanto, esse inimigo de
dois rostos.
Passada a primeira fase de paixão (desculpem, mas ela passa, o que não
significa tédio nem fim de atração), começamos a amar de outro jeito.
Ou a amar melhor; ou, aí é que começamos a amar. A querer bem; a apreciar;a
respeitar; a valorizar; a mimar; a sentir a falta; a conceder espaço; a
querer que o outro cresça e não fique grudado na gente.
O cotidiano baixa sobre qualquer relação e qualquer vida, com a poeira do
desencanto e do cansaço, do tédio. A conta a pagar, a empregada que não
Veio, alguém na família doente ou problemático, a mãe ou o pai deprimido ou
simplesmente o emprego sem graça e o patrão de mau humor.
E explodimos, queremos morrer, quando cai aquela última gota, pode ser uma
trivialíssima gota - ai nos damos conta: nada mais é como era no começo.
Nada foi como eu esperava. Não sei se quero continuar assim, mas tambémnão
sei o que fazer.
Como não desistimos facilmente porque afinal somos guerreiros ou nem
estaríamos mais aqui, e também porque há os compromissos, a casa, a
grana e até ainda o afeto, é preciso inventar um jeito de recomeçar,
reconstruir. Na verdade devia-se reconstruir todos os dias. Usar da
criatividade
numa relação. O problema é que, quando se fala em criatividade numa relação,
a maioria pensa logo em inovações no sexo, mas transar é o resultado,
não o meio.
Um amigo disse no aniversário de sua mulher uma das coisas mais belas
que ouvi: "Todos os dias de nosso casamento (de uns 40 anos), eu te escolhi
de novo como minha mulher".
Mas primeiro teríamos de nos escolher a nós mesmos diariamente. Ao
menos e vez em quando sentar na cama ao acordar, pensar: como anda a minha
vida?
Quero continuar vivendo assim? Se não quero, o que posso fazer para
melhorar? Quase sempre há coisas a melhorar, e quase sempre podem ser
melhoradas.
Ainda que seja algo bem simples; ainda que seja mais complicado, como
realizar o velho sonho de estudar, de abrir uma loja, de fazer uma viagem,
de mudar de profissão.
Nós nos permitimos muito pouco em matéria de felicidade, alegria, realização
e sobretudo abertura com o outro.
É difícil? É difícil.
É duro? É duro. Cada dia, levantar e escovar os dentes já é um ato heróico,
dizia Hélio Pellegrino.
Viver é um heroísmo, viver bem um amor, mais ainda.
O casal perfeito talvez seja aquele que não desiste de correr atrás do sonho
e da certeza de que, apesar dos pesares, nós, a cada dia, nos escolheríamos
novamente!!!

Não existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade. Puta que pariu, não é assim. Isso não existe. É um erro pensar assim. Eu sou uma mulher. Faço tudo de mulher, como mulher. Mas não sou uma mulher que necessita de ajuda de um homem. Não necessito de proteção de homem nenhum. Essas mulheres frageizinhas, que fazem esse gênero, querem mesmo é explorar seus maridos. Isso entra também na questão literária. Não existe isso de homens com escrita vigorosa, enquanto as mulheres se perdem na doçura. Eu fico puta da vida com isso. Eu quero escrever com o vigor de uma mulher. Não me interessa escrever como homem. [ Lya Luft ]

Na ambição de serem sempre jovens, as mulheres acabam perdendo o próprio rosto. São os falsos mitos da juventude para sempre. E isso também inclui a febre atual da mídia, particularmente nas revistas femininas. Só se fala como se pode ter vários orgasmos numa única noite. Só se fala em como a mulher deve agir para segurar seu homem pelo sexo, especialmente o oral. São fórmulas de um mundo conturbado, que foge ao afeto, distante de qualquer felicidade. Essa é outra coisa para o enlouquecimento. Em todo lugar, o que existe é a supervalorização do sexo. Quem não estiver fazendo sexo sem parar o tempo todo passa a ser anormal. Muita gente fica complexada porque não consegue vários orgasmos numa noite. É tudo uma imposição. [ Lya Luft ]

Tento entender a vida, o mundo e o mistério e para isso escrevo. Não conseguirei jamais entender, mas tentar me dá uma enorme alegria. Além disso, sou uma mulher simples, em busca cada vez mais de mais simplicidade. Amo a vida, os amigos, os filhos, a arte, minha casa, o amanhecer. Sou uma amadora da vida. O que você nunca vai esquecer? Escutar o vento e a chuva nas árvores do imenso jardim que cercava a casa de meu pai, na minha infância. [ Lya Luft ]

Sou dos escritores que não sabem dizer coisas inteligentes sobre seus personagens, suas técnicas ou seus recursos. Naturalmente, tudo que faço hoje é fruto de minha experiência de ontem: na vida, na maneira de me vestir e me portar, no meu trabalho e na minha arte/ Não escrevo muito sobre a morte: na verdade ela é que escreve sobre nós - desde que nascemos vai elaborando o roteiro de nossa vida/ O medo de perder o que se ama faz com que avaliemos melhor muitas coisas. Assim como a doença nos leva a apreciar o que antes achávamos banal e desimportante, diante de uma dor pessoal compreendemos o valor de afetos e interesses que até então pareciam apenas naturais: nós os merecíamos, só isso. Eram parte de nós./ O amor nos tira o sono, nos tira do sério, tira o tapete debaixo dos nossos pés, faz com que nos defrontemos com medos e fraquezas aparentemente superados, mas também com insuspeitada audácia e generosidade. E como habitualmente tem um fim - que é dor - complica a vida. Por outro lado, é um maravilhoso ladrão da nossa arrogância./ Quem nos quiser amar agora terá de vir com calma, terá de vir com jeito. Somos um território mais difícil de invadir, porque levantamos muros, inseguros de nossas forças disfarçamos a fragilidade com altas torres e ares imponentes./ A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura./ Às vezes é preciso recolher-se. Obs.: Sobre ela mesma [ Lya Luft ] ENVIAR ESTA FRASE A UM AMIGO

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Mulheres

"Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós.

Pare para refletir sobre o sexto-sentido.
Alguém duvida de que ele exista?

E como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes, em uma reunião, seja aquela que dá em cima de você?

E quando ela antecipa que alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que você quer terminar o relacionamento?

E quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar um casaco? Rio de Janeiro, 40 graus, você vai pegar um avião pra São Paulo. Só meia-hora de vôo. Ela fala pra você levar um casaco, porque "vai fazer frio". Você não leva. O que acontece?
O avião fica preso no tráfego, em terra, por quase duas horas, depois que você já entrou, antes de decolar. O ar condicionado chega a pingar gelo de tanto frio que faz lá dentro!
"Leve um sapato extra na mala, querido.
Vai que você pisa numa poça..."
Se você não levar o "sapato extra", meu amigo, leve dinheiro extra para comprar outro. Pois o seu estará, sem dúvida, molhado...

O sexto-sentido não faz sentido!

É a comunicação direta com Deus!
Assim é muito fácil...
As mulheres são mães!

E preparam, literalmente, gente dentro de si.
Será que Deus confiaria tamanha responsabilidade a um reles mortal?

E não satisfeitas em ensinar a vida elas insistem em ensinar a vivê-la, de forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral.
Fala-se em "praga de mãe", "amor de mãe", "coração de mãe"...

Tudo isso é meio mágico...
Talvez Ele tenha instalado o dispositivo "coração de mãe" nos "anjos da guarda" de Seus filhos (que, aliás, foram criados à Sua imagem e semelhança).

As mulheres choram. Ou vazam? Ou extravazam?

Homens também choram, mas é um choro diferente. As lágrimas das mulheres têm um não sei quê que não quer chorar, um não sei quê de fragilidade, um não sei quê de amor, um não sei quê de tempero divino, que tem um efeito devastador sobre os homens...

É choro feminino. É choro de mulher...

Já viram como as mulheres conversam com os olhos?

Elas conseguem pedir uma à outra para mudar de assunto com apenas um olhar.
Elas fazem um comentário sarcástico com outro olhar.
E apontam uma terceira pessoa com outro olhar.
Quantos tipos de olhar existem?

Elas conhecem todos...

Parece que freqüentam escolas diferentes das que freqüentam os homens!
E é com um desses milhões de olhares que elas enfeitiçam os homens.

EN-FEI-TI-ÇAM !

E tem mais! No tocante às profissões, por que se concentram nas áreas de Humanas?
Para estudar os homens, é claro!
Embora algumas disfarcem e estudem Exatas...

Nem mesmo Freud se arriscou a adentrar nessa seara. Ele, que estudou, como poucos, o comportamento humano, disse que a mulher era "um continente obscuro".
Quer evidência maior do que essa?
Qualquer um que ama se aproxima de Deus.
E com as mulheres também é assim.

O amor as leva para perto dEle, já que Ele é o próprio amor. Por isso dizem "estar nas nuvens", quando apaixonadas.
É sabido que as mulheres confundem sexo e amor.
E isso seria uma falha, se não obrigasse os homens a uma atitude mais sensível e respeitosa com a própria vida.
Pena que eles nunca verão as mulheres-anjos que têm ao lado.
Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo.
Mas elas são anjos depois do sexo-amor.
É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos.
E levitam.
Algumas até voam.
Mas os homens não sabem disso.
E nem poderiam.
Porque são tomados por um encantamento
que os faz dormir nessa hora."
Luís Fernando Veríssimo

Era uma vez... numa terra muito distante...uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima.
Ela se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo era relaxante e ecológico...
Então, a rã pulou para o seu colo e disse: linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito.
Uma bruxa má lançou-me um encanto e transformei-me nesta rã asquerosa.
Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo.
A tua mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavar as minhas roupas, criar os nossos filhos e seríamos felizes para sempre...
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria, pensando consigo mesma:
- Eu, hein?... nem morta!
Luís Fernando Veríssimo

Vou-te amar apenas em sonhos,
Sentir meu corpo vagueando pelo teu
Minha aura brilhante de encontro à tua.
Vou pegar em tuas mãos
E levá-las de encontro a meu peito.
Vou sentir teu desejo dentro do meu ser
E ver a luz que emana de ti
Quando estás dentro de mim.
Vou falar-te palavras ternas,
Bem perto da tua alma,
Para que ela possa desabrochar
Para este sentimento mágico.
Vou incendiar teu sorriso,
Para que teus olhos sorriam também.
Vou fazer com te que sintas perfeito,
Como um deus que emana dos céus,
Para que eu possa sentir-me perfeita também.
Vou, no fim, segurar tua mão,
Sentir o teu toque suave,
E arrepiar-me com o calor que emana de ti.
Vou amar-te apenas em sonhos,
Para que assim,
Possas viver eternamente dentro de mim...

Amar: Fechei os olhos para não te ver e a
minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados
desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada
nasceram sussurros e palavras mudas que te dediquei....
O amor é quando a gente mora um no outro.

(Mário Quintana)

Tenta esquecer-me

Tenta esquecer-me...
Ser lembrado é como evocar
Um fantasma... Deixa-me ser o que sou,
O que sempre fui, um rio que vai fluindo...
Em vão, em minhas margens cantarão as horas,
Me recamarei de estrelas como um manto real,
Me bordarei de nuvens e de asas,
Às vezes virão a mim as crianças banhar-se...
Um espelho não guarda as coisas refletidas!
E o meu destino é seguir... é seguir para o Mar,
As imagens perdendo no caminho...
Deixa-me fluir, passar, cantar...
Toda a tristeza dos rios
É não poder parar!
Mário Quintana

Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho...
Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento...e não brinque com ele.
E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe...
Que ele é superior ao ódio e ao rancor, .............
......................................................
Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas...
Mário Quintana

FELICIDADE REALISTA

A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar É importante pensar-se ao extremo, buscar lá d entro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.
Mário Quintana

Minha verdade espantada é que eu sempre estive só de ti e não sabia. Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade da solidão. Quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama. Quanto a mim, assumo a minha solidão. Que ás vezes se extasia como diante de fogos de artifício. Sou só e tenho que viver uma certa glória íntima que na solidão pode se tornar dor. E a dor, silêncio. Guardo o seu nome em segredo. Preciso de segredos para viver.

Agora preciso de tua mão,
não para que eu não tenha medo,
mas para que tu não tenhas medo.
Sei que acreditar em tudo isso será,
no começo, a tua grande solidão.
Mas chegará o instante em que me darás a mão,
não mais por solidão, mas como eu agora:
Por amor.
Clarice Lispector

Pertencer
"Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado com papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, então raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos."
Clarice Lispector

Meu Deus, me dê a coragem

Meu Deus, me dê a coragem de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites, todos vazios de Tua presença. Me dê a coragem de considerar esse vazio como uma plenitude. Faça com que eu seja a Tua amante humilde, entrelaçada a Ti em êxtase. Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo e receber como resposta o amor materno que nutre e embala. Faça com que eu tenha a coragem de Te amar, sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo. Faça com que a solidão não me destrua. Faça com que minha solidão me sirva de companhia. Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar. Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo. Receba em teus braços meu pecado de pensar.
Clarice Lispector

ISSO É MUITA SABEDORIA
Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue;outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho...o de mais nada fazer.
Clarice Lispector

.Sou assim
Alegria e tristeza
Tumulto e solidão
Riso e choro fácil
Sou assim
Porto, poema e dilema
Emoção a flor da pele
Ave sem asas
Vulção em erupção
Chuva de verão
Tempestade de inverno
Sou assim
Lembrança
que o tempo não apaga
Flor nascida fora de época
Solta no mundo...livre
Prisioneira de mim mesma
Sou tudo o que sempre quis ser
Vou além das ousadias
Fragilidade forte
Antagonismo
Metáfora gravada
Urgência...paciência..
Sou retalhos...
Peças de um quebra cabeça
Que só eu monto e desmonto
Por conhecer cada canto
De todos os meus sótãos
Sou enfim, assim
Razão e coração...
Puro amor!

AME !!!

Quando ele chegar
Deixe-o se aproximar
Porque por pior que ele possa ser
Alguma coisa boa vem junto dele...
Hás de aprender que
A vida é mesmo assim
Encontramos amores que não dão certo,
Outros que não são correctos,
Existem até os desgastantes,
Mas dentro de qualquer um deles
Sempre haverá um instante...
Que no futuro valerá ser relembrado
Amores quando terminados
Muitas vezes dão a impressão
Que não valeram a pena
Que foram em vão
Mas passado algum tempo
Com a cabeça já serena, finalmente...
Você consegue avaliar e
Descobre que sempre ficou
Algo agradável para recordar
Por isso ame...Se entregue...
Nunca se negue...
Em qualquer época, Qualquer idade
Qualquer lugar
Porque só pode dizer realmente
Que por essa vida passou
Quem um dia, alguém amou!!!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O meu amor

Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca

Quando me beija a boca

A minha pele fica toda arrepiada

E me beija com calma e fundo

Até minh'alma se sentir beijada

O meu amor

Tem um jeito manso que é só seu

Que rouba os meus sentidos

Viola os meus ouvidos

Com tantos segredos

Lindos e indecentes

Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes




Eu sou sua menina, viu?

E ele é meu rapaz

Meu corpo é testemunha

Do bem que ele me faz

O meu amor

Tem um jeito manso que é só seu

De me deixar maluca

Quando me roça a nuca

E quase me machuca

Com a barba mal feita

E de posar as coxas

Entre as minhas coxas

Quando ele se deita

O meu amor

Tem um jeito manso que é só seu

De me fazer rodeios

De me beijar os seios

Me beijar o ventre

Me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo

Como se meu corpo

Fosse a sua casa

Eu sou sua menina, viu?

E ele é meu rapaz

Meu corpo é testemunha

Do bem que ele me faz...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Não gosto nada dessa sensação que estou perdendo alguma coisa,
Não que a gente seja dono de nada,mas conheço bem os sintomas
Do tipo : ver que não se tem muita importância,que tudo que se diz
Não é levado a sério,como se a nossa dor fosse menor que a dos outros
E não é por estar mas sensível não,a sensação é real,sei que deveria estar acostumada
Com tantas coisas e pessoas que foram e ainda são muito importantes pra mim e de alguma
Maneira se perderam pelo caminho,talvez o problema seja meu e não das pessoas,
Acho que tudo nessa vida tem uma proporção,que nunca é a mesma de pessoa pra pessoa,
E eu tambem não sou assim tão especial pra ninguem,se eu morrer hoje,poucos vão chorar
E os que chorarem logo vão esquecer,eu não quero ser lembrada depois que morrer,preciso
Que gostem ou não de mim agora,eu não quero ser assim superficial com nimguem,
Gosto de me doar às pessoas,independente delas fazerem ou não isso por mim,
Gosto de ver que tem alguem feliz por perto e participar dessa felicidade
Não importa se tenho problemas,se posso ajudar,dar uma força eu vou ajudar
Porque acredito que com um pouquinho de boa vontade,tudo é mas fácil.
( RCGS )

LEVE

Ô Deus, me pega no colo!
Conserta meus pés de barro,
senão desmorono.
Meu chumbo me pesa.
Coloca-me asas, daquelas de anjo,
dá-me voos de pássaro,
travesseiros de nuvem,
ventanias.
Hoje preciso voar,
sair do chão
ficar em Tua companhia.
Ser apenas pluma,
bruma,
espuma do mar
Qualquer coisa muito leve
que me eleve
para o ar.


(Mara Senna)

Espelho

Mara Senna
Nunca saberá, ao certo,
quem sou eu. Tenho dupla-face,
dupla identidade
e sexto sentido.
Intuição de sobra,
razão de menos.
Juízo demais.
Tudo fora da hora.
Por isso, corro sempre atrás do prejuízo
das emoções perdidas.
No espelho, vejo o que quero,
enxergo o que não gosto,
finjo que não vejo.
Sei quem eu sou
nas duas faces do espelho.
Por isso, nunca me perdi.

Wave

Vou te contar
Os olhos já não podem ver
Coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor
É impossível ser feliz sozinho...



O resto é mar
É tudo que não sei contar
São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Vem de mansinho à brisa e me diz
É impossível ser feliz sozinho...



Da primeira vez era a cidade
Da segunda o cais e a eternidade...
Agora eu já sei
Da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar
O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver...

Vou te contar...


Ponto e Vírgula

(Mara Senna)
Eu não sei por que
esta mania
de querer deixar traços,
marcas no chão,
levar pedaços,
eternizar momentos,
imortalizar pessoas,
levar uma vida atemporal.
Por que não vivo a razão gramatical
do ponto final?

Despedida

Cecília Meireles


Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces? - me perguntarão. -
Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? Tudo. Que desejas? - Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)
Quero solidão.

Ausência


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Soneto 76
William Shakespeare


Por que meu verso é sempre tão carente
De mutações e variação de temas?
Por que não olho as coisas do presente
Atrás de outras receitas e sistemas?
Por que só escrevo esta monotonia,
Tão incapaz de produzir inventos
Que cada verso quase denuncia
Meu nome e seu lugar de nascimento?
Pois saiba, amor, só escrevo a seu respeito
E sobre o amor - são meus únicos temas,
E assim vou refazendo o que foi feito
Reinventando as palavras do poema.
Como o sol, novo e velho a cada dia,
Meu coração rediz o que dizia.

 Expectativa


O vento anda ficando mentiroso.
Prometeu trazer você - não trouxe.
Ficou de dizer o porquê, não disse.
Esperou que eu me distraísse,
passou depressa, rumo ao horizonte.
Já não tem importância
que cometa outra vez,
um ato de inconstância.
Aprendi a esperar.
Se ventos são capazes de levar embora,
a qualquer hora,
também,são capazes de fazer voltar.
(Flora Figueiredo)

Lembrete


Não deixe portas entreabertas.
 Escancare-as
Ou bata-as de vez.
Pelos vãos, brechas e fendas
Passam apenas semiventos,
Meias verdades
E muita insensatez.

Grafite

Não seremos marido e mulher,
nem mesmo amantes.
Que tal apenas namorados intermitentes,
docemente nos amando, intinerantes?
Trocaremos afagos, quando o dia adormecer,
na encruzilhada;
deixarei em você meus cheiros de mulher.
Lançaremos olhares disfarçados,
que certamente passarão despercebidos,
pois namorados são de Deus os protegidos.
Quando nossas mãos roçarem-se furtivas,
vão insinuar desejos abafados,
pelas regras da vida censurados,
mas que sãos flores no canteiro, sempre - vivas.
Ao nos encontrarmos pela tarde rua acima,
lá onde a mangueira domina a rotatória,
assinarei um verso sublimado
a grafitar nossa parede divisória.
(Flora Figueiredo)

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Amor
O amor não encontra o amor.
Na verdade, reencontra.
Há um reconhecimento natural.
Não se explica; simplesmente é!
Quando um coração respira outro coração,
O Céu se abre... E algo acontece.
A luz chama a luz, na mesma canção.
Então, os dois corações tornam-se um só!
O amor é o sopro vital real.
Permite que dois seres respirem juntos.
Wagner Borges

Se o amor quiser voltar
Que terei pra lhe contar
A tristeza das noites perdidas
Do tempo vivido em silêncio
Qualquer olhar lhe vai dizer
Que o adeus me faz morrer
E eu morri tantas vezes na vida
Mas se ele insistir mas se ele voltar
Aqui estou sempre a esperar...(Vinicius de Moraes)

Eu hoje acordei triste, - há certos dias
em que sinto esta mesma sensação...
E não sei explicar, qual a razão
porque as mãos com que escrevo estão tão frias
E pergunto a mim mesmo: - tu não rias
ainda ontem tão feliz ... diz-me então
por que sentes pulsar teu coração
destoando das humanas alegrias
E, nem eu sei dizer por que estou triste
Quem me olha não calcula com certeza
o imenso caos que no meu peito existe
A tristeza que eu sinto ninguém vê
- E a maior das tristezas é a tristeza
que a gente sente sem saber por quê
J.G.deA.Jorge

sábado, 13 de fevereiro de 2010

A Canção do Amor Maior.

Existe uma Tribo Africana que acredita que cada alma tem sua própria canção e esta é cantada em seu nascimento, na 1ª vez que a criança vai à escola, na sua iniciação da fase adulta, em seu casamento, e em sua morte.
Porém há outra ocasião na qual a Tribo toda canta para alguém: quando ela comete um ato anti-social, não é punição: É o amor e a lembrança da identidade.
Quando vc reconhece sua própria canção, ela lhe fala à alma, ajuda a acordar sua parte divina; então vc não tem vontade de fazer nada que possa ferir outrem.
Quem te ama sabe sua canção e a canta quando vc esquece, eles lembram sua beleza quando se sente feio, sua totalidade quando está partido, sua inocência quando se sente culpado, seu propósito quando está confuso.

Que fique no ar o desejo de que vc tenha sempre alguém para cantar sua canção, que te olhe com amor e carinho, aceitação e admiração, para que jamais se esqueça de que és Único e essencialmente bom.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

GUI

Penso que a gente deve seguir sempre o curso da vida,
nada de ficar remando contra a maré,assim fica mas fácil
e lógico,mas uma vez se repete as idas e vindas dos meus
escolhidos,só peço que esse tambem siga por caminhos suaves,
que a vida seja generosa e lhe devolva as coisas boas que toda
criança merece ter,como,carinho,amor,afeto e um colo bem quentinho
para que possa se sentir protegido,que as mudanças não sejam um
motivo de revolta e rebeldia,para que mas tarde possa saber que só
o amor nos faz uma pessoa melhor,amiga e solidária,que possa sempre
se colocar no lugar do outro e possa avaliar o que o outro está sentindo,ajudar sempre,
julgar jamais,porque muitas vezes nessa vida precisamos que alguem nos estenda a mão.
    (R.C. G. S )

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

"A alma dos diferentes é feita de uma luz além.
Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos capazes de os sentir e entender.
Nessas moradas estão tesouros da ternura humana dos quais só os diferentes são capazes. Não mexa com o amor de um diferente.
A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois".
Arthur da Távola

Minha criança

"Peço licença para falar na minha criança, a que mora aqui dentro e não me abandonará jamais. Talvez com a morte eu até regresse a ela. Os quase setenta anos que dela me separam não a removem. Ela ali está, magra e tímida, a me olhar e ditar comportamentos e reações.

Minha criança esteve em todos os meus filhos e aparece no meus sete netos. Ela se refaz da morte da irmã e abre os olhos para o mundo, com a certeza de que veio ao mundo para alguma missão, embora sempre se considere inferior ao tamanho da mesma.

Minha criança sente enorme saudade de pai e da mãe com quem o adulto já não conta salvo no exemplo, na saudade e nas orações quando me domina uma fugidia sensação de estarem, incorpóreos, a meu lado, mas sem se manifestarem.

Minha criança possui incomensuráveis solidões diante do mistério do infinito. Ainda recua diante do violento, embora não o tema, e ainda se infiltra em episódios de distração e inocência inexplicáveis num homem com minha carga de vivências. Minha criança ainda gosta de abraço caloroso, proteções misteriosas e de um modo de rezar que o adulto nunca mais conseguiu tais a entrega e a total confiança no mistério e na proteção de Deus.

Minha criança carrega o melhor de mim, é portadora de meu modo triste de falar de coisas alegres e de algum susto misterioso sempre que se lhe impõe alguma expectativa d enfermidade. Minha criança é inteira, mansa, bondosa e linda. Eu a amo, preservo, e dou boas gargalhadas quando a vejo infiltrar-se nas graves decisões de algumas de minhas responsabilidades adultas. Ninguém a vê, salvo eu. Ninguém a acaricia, salvo eu, que a estimo, procuro e admiro mais a cada dia e com quem converso histórias infinitas, que somente a imaginação pode conceber no universo maravilhoso da fabulação interior e solitária.

Diariamente passeio com minha criança e estou muito feliz por cumprimentá-la, levar-lhe balas, nuvens, aquele cão da meninice, as canções de minha mãe e os carinhos de meu pai, levar-lhe os presentes que ganhava de meu padrinho e toda a enorme vontade de Ser que então adivinhava para a minha vida. Vida que chegou, ameaça passar, e da qual não me arrependo.

Minha criança adivinhou em seus sonhos o adulto que eu queria ser. E traz alegria e esperanças à minha idade atual. Hoje sou, há muito tempo, o adulto que sonhei ser. Talvez com menos tensões, mas igualzinho em meu modo de amar a vida."  
Artur da Távola

Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado uma ótima posição
no ranking das virtudes, o amor ainda lidera com folga.
Tudo o que todos querem é amar!
Encontrar alguém que faça bater forte o coração e justifique loucuras.
Que nos faça entrar em transe, cair de quatro, babar na gravata. Que nos
faça revirar os olhos, rir à toa, cantarolar dentro de um ônibus lotado.
Depois que acaba esta paixão retumbante, sobra o que? O amor. Mas não o amor mistificado, que muitos julgam ter o poder de fazer levitar.
O que sobra é o amor que todos conhecemos, o sentimento que temos por mãe, pai, irmão, filho. É tudo o mesmo amor, só que entre amantes existe
sexo.
Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja. O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus.
A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue, a sedução tem que ser ininterrupta. Por não haver nenhuma garantia de
durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança acabamos por sepultar uma relação que poderia ser eterna.
Casaram. Te amo prá lá, te amo prá cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às vezes nem necessita de um amor tão intenso. É preciso que haja, antes de mais nada, respeito. Agressões zero. Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência.
Amor, só, não basta!
Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura para acatar regras que não foram previamente combinadas. Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades.
Tem que saber levar. Amar, só, é pouco.
Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas pra pagar. Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar.
Tem que ter um bom psiquiatra. Não adianta, apenas, amar.
Entre casais que se unem visando a longevidade do matrimônio tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, um tempo pra
cada um. Tem que haver confiança! Uma certa camaradagem, às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou.
É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão. E que amar, "solamente", não basta.
Entre homens e mulheres que acham que o amor é só poesia, tem que haver discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado. O amor é grande mas não é dois. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência.
O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.
Um bom Amor aos que já têm! Um bom encontro aos que procuram!
E felicidades a todos nós!
Arthur da Tavola

AFINIDADE

A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
E o mais independente.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos,
as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro
retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto
no exato ponto em que foi interrompido.

Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo para o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.

Ter afinidade é muito raro.
Mas quando existe não precisa de códigos
verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento,
irradia durante e permanece depois que
as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar
a um não afim, sai simples e claro diante
de alguém com quem você tem afinidade.

Afinidade é ficar longe pensando parecido a
respeito dos mesmos fatos que impressionam comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavras.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento...

Afinidade é sentir com. Nem sentir contra,
nem sentir para, nem sentir por.
Quanta gente ama loucamente,
mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado,
não para eles próprios.

Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar, ou, quando falar,
jamais explicar: apenas afirmar.

Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.

Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças.
É conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,
quanto das impossibilidades vividas.

Afinidade é retomar a relação no ponto em que
parou sem lamentar o tempo de separação.
Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida,
para que a maturação comum pudesse se dar.
E para que cada pessoa pudesse e possa ser,
cada vez mais a expressão do outro sob a
forma ampliada do eu individual aprimorado.
Artur da Távola

AQUELE AMOR

Ela pertence à espécie de mulheres que possuem um só amor em toda a sua vida. Ou amam de verdade apenas uma vez. Seria espécie de mulheres ou a maioria assim o é, mesmo sem o saber?
Também há homens de eterno amor, embora o machismo e as deformações de sua cultura e comportamento nem sempre os convença de tal. Ou não convença a maioria. Ou será que o fato de serem colocadores de semente por determinismo biológico os leva a não prestar a devida atenção à sua destinação para o amor?
No meio da conversa ela diz, de repente, que só gostou de verdade de um homem e eis que vai buscar lá entre papéis amassados, daqueles que esturricam o couro das carteiras, não um mas três retratos dele, que espalha, qual cartas de baralho, sobre a mesa do restaurante. E fala dele com a mistura de ternura e tristeza que assaltam as mulheres que não lograram viver com o seu amor, casar-se com ele, ter seus filhos, viver em função dele e dela, unidos, pois esta é a verdadeira vontade e destinação da mulher: viver ao lado do verdadeiro amor.
Sim, elas vivem de modo proibido se necessário, casam-se com outro, têm filhos, os amam fundamente, mas a verdade de seu ser é a do amor verdadeiro, até porque mulher vive para amar e por amor, o resto se ajeita. Podem até deixar seu amor dormitar por anos e parecer serenado. Volta, porém a qualquer apelo ou menção do nome dele, encontro fortuito na rua com um conhecido dos tempos do namoro ou da relação.
Como são comoventes e lindas na sua integralidade bíblica as mulheres quando expressam para os demais ou para si mesmas, o amor de suas vidas ou quando consultam, escondido, os retratos guardados, recortes, flores secas, a memória úmida das restantes lembranças em momentos de silêncio e solidão!
Abençoados sejam, porque são, os homens e as mulheres que na passagem por esta vida receberam um dia de alguém, ou deram, um amor único, original e definitivo. Abençoados sejam e para todo o sempre. Como o amor que existe apesar de todas as ternas e dolorosas circunstâncias que não impedem a sua verdade mas em muitos casos esmagam a sua plena realização.
Artur da Távola

Coisas que a vida ensina depois dos 40

Amor não se implora, não se pede não se espera...
Amor se vive ou não.
Ciúmes é um sentimento inútil. Não torna ninguém fiel a você.
Animais são anjos disfarçados, mandados à terra por Deus para
mostrar ao homem o que é fidelidade.
Crianças aprendem com aquilo que você faz, não com o que você diz.
As pessoas que falam dos outros pra você, vão falar de você para os outros.
Perdoar e esquecer nos torna mais jovens.
Água é um santo remédio.
Deus inventou o choro para o homem não explodir.
Ausência de regras é uma regra que depende do bom senso.
Não existe comida ruim, existe comida mal temperada.
A criatividade caminha junto com a falta de grana.
Ser autêntico é a melhor e única forma de agradar.
Amigos de verdade nunca te abandonam.
O carinho é a melhor arma contra o ódio.
As diferenças tornam a vida mais bonita e colorida.
Há poesia em toda a criação divina.
Deus é o maior poeta de todos os tempos.
A música é a sobremesa da vida.
Acreditar, não faz de ninguém um tolo. Tolo é quem mente.
Filhos são presentes raros.
De tudo, o que fica é o seu nome e as lembranças a cerca de suas ações.
Obrigada, desculpa, por favor, são palavras mágicas, chaves que
abrem portas para uma vida melhor
O amor... Ah, o amor...
O amor quebra barreiras, une facções,
destrói preconceitos,
cura doenças...
Não há vida decente sem amor!
E é certo, quem ama, é muito amado.
E vive a vida mais alegremente...
Artur da Távola

Despedida

DESPEDIDA

Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente,
seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro,
com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva,
já que ainda estamos tão embrulhados na dor
que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre,
sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,
lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual
a gente se apega. Faz parte de nós.
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis,
mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo,
que de certa maneira entranhou-se na gente,
e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’
propriamente dita. É uma dor que nos confunde.
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos
deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por
ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos,
que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou,
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente…
E só então a gente poderá amar, de novo.
Martha Medeiros

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

É tão fundo o silêncio entre as estrelas.
Nem o som da palavra se propaga,
nem o canto das aves milagrosas.
...
Mas, lá, entre as estrelas, onde somos
um astro recriado, é que se ouve
o íntimo rubor que abre as rosas.

_José Saramago_

Anotações

Anotações!

Tirei das nuvens a folha mais branca que encontrei!
Anotei tudo que possuo e o que almejo!
Procurei grifar tudo que possuo!
Do que almejo algumas coisas parecem repetitivas!
Encontrei coisas que talvez nunca sejam minhas!
Coisas que doei e nunca pude sentir o gosto!
Sentimentos que desejei!
Talvez algum dia os encontre!
Também encontrei desenho do meu mar!
Mar que são as coisas que possuo!
Areia, as coisas que almejo!
E eu uma onda misturada ao mar!
Quase toco a areia!
Vivo mesmo no limite do quase!
Quase fui!
Quase voltei!
Quase me amaram como desejo!
Mais sempre amei do jeito que almejei!
Parece mesmo conta sem resultado...
Na matemática pode até ser!
Mais eu amo é literatura!
Gosto de palavras!
Números pra mim só pares!
Começando sempre por dois, nós dois!

Mony Mello

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Pedaços de mim

PEDAÇOS DE MIM

Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos

Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci

Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante


Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar

Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.
Martha Medeiros

Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo
quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando
melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro
antes, durante e depois de te encontrar.
Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de
lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar.
Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é
covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque
sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência,
pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu
lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua
desajeitada e irrefletida permanência.
Martha Medeiros

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
A casa da saudade chama-se memória: é uma cabana pequenina a um canto do coração.
( recebi da minha amiga josi )

Tem gente que carrega nos olhos,
O brilho das estrelas.
Nos lábios um imenso sorriso.
Na alma a luz do sol, e
um coração repleto de bondade.
Estas pessoas eu chamo de simplicidade.
Gosto de gente simples assim,
Aquelas de bom dia, boa tarde e boa noite,
Quando nos falam sentimos abraçados,
Porque tecem palavras de conforto.
Por onde passam espalham luz e
Trazem consigo o rótulo da humildade.
Ao lado delas somos importantes.
Elas nos fazem sentir gigantes.
São feitas de essência de Deus.
Pessoas de personalidade, porque
na verdade Só têm um jeito de “ser”.
São especiais e quando estão longe,
a gente quer perto, quando estão perto
a gente as quer pra sempre.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

"Um anjo subia pela alameda dos sonhos
Levava uma estrela e uma caixinha
de surpresas. De repente ele viu um menino
tristonho. Bateu asas e surgiu
Um acalento pro seu sono. Dentro da noite
estrelada, anjo e menino se
abraçaram E a caixinha foi deixada. Estava
cheia de sonhos e de estrelas
prateadas, cheia de surpresas coloridas
E alegrias imaginadas.
Pela manhã o menino risonho abriu a
janela de mansinho e jura
ter visto através do sol
Seu anjo virar passarinho.!"

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Inocência
Vou aqui como um anjo, e carregado
De crimes!
Com asas de poeta voa-se no céu...
De tudo me redimes,
Penitência
De ser artista!

Nada sei,
Nada valho,
Nada faço,
E abre-se em mim a força deste abraço
Que abarca o mundo!
Tudo amo, admiro e compreendo.
Sou como um sol fecundo
Que adoça e doira, tendo
Calor apenas.

Puro,
Divino
E humano como os outros meus irmãos,
Caminho nesta ingénua confiança
De criança
Que faz milagres a bater as mãos.
Miguel Torga

Um novo amor batendo a porta 
ele, como um lago sem luar refletido 
ela, com fragmentos de outra saudade 
retalhos de memória esquecidos 

um novo amor batendo à porta 
conversas de ocasião 
pensamentos ilícitos 
palavras de sedução, gestos explícitos

um novo amor batendo a porta 
beijos, vinhos, carícias 
almas bambas no tapete da sala 
olhos fechados memorizando traços 

a primeira vez também pode ser a última... 
um novo amor batendo a porta 
Deixa ele entrar!
mário quintana

Não Quero....

Não quero alguém que morra de amor por mim… Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.
 
Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.
 
Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim… Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante para mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível… E que esse momento será inesquecível…
 
Só quero que meu sentimento seja valorizado. Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre… E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.
 
Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém… e poder ter a
absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.
 
Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras,
alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho…
 
Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento… e não brinque com ele. E que esse alguém me peça para que e nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
 
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe… Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.
 
Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será
outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.
 
Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas… Que a esperança nunca me pareça um “não” que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como “sim”.
 
Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de
poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante para mim, sem ter de me preocupar com terceiros… Sem correr o risco de
ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.
 
Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão… que o
amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim… e que valeu a pena!!!
 
[Mário Quintana]

Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais -por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia –qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê.
Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.

Então me vens e me chega e me invades e me tomas e me pedes e me perdes e te derramas sobre mim com teus olhos sempre fugitivos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências, e me concentro inteiro nas coisas que me contas, e assim calado, e assim submisso, te mastigo dentro de mim enquanto me apunhalas com lenta delicadeza, deixando claro em cada promessa que jamais será cumprida, que nada devo esperar além dessa máscara colorida, que me queres assim porque assim que és…

Você vai me abandonar e eu nada posso fazer para impedir. Você é meu único laço, cordão umbilical, ponte entre o aqui de dentro e o lá de fora. Te vejo perdendo-se todos os dias entre essas coisas vivas onde não estou. Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê. E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alívio, enquanto agora sou uma planta carnívora exigindo a cada dia uma gota de sangue para manter-se viva. Você rasga devagar o seu pulso com as unhas para que eu possa beber. Mas um dia será demasiado esforço, excessiva dor, e você esquecerá como se esquece um compromisso sem muita importância. Uma fruta mordida apodrecendo em silêncio no quarto.

Não, não ofereço perigo algum: sou quieta como folha de outono esquecida entre as páginas de um livro, sou definida e clara como o jarro com a bacia de ágata no canto do quarto - se tomada com cuidado, verto água límpida sobre as mãos para que se possa refrescar o rosto mas, se tocada por dedos bruscos num segundo me estilhaço em cacos, me esfarelo em poeira dourada.

Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso ás vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez

Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.
A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.

Fragmentos de Caio Fernando Abreu

Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante…

Fragmentos de Rita Apoena

sobre eles
Ela afundou o corpo nele o mais que pôde, como se assim pudesse aprisionar um instante, como se assim pudesse aprisionar o amor. E ele, querendo as respostas que a vida não lhe entrega e que só uma mulher é capaz de abrigar dentro de si, puxou os seus quadris com a ânsia de escorregar para dentro dela e ali ficar. Só uma fêmea é capaz de dividir-se assim ao meio: a metade de baixo a sobrepor-se forte, desfalecendo as resistências do macho e a de cima a ampará-lo doce, beijando e acarinhando os medos de um filhote.

Impossível amor

Doces nuvens espumosas
anunciam a tua noite
quando a lua em calda
derrama mais uma demão de fascínio
em teu corpo sedutor

Olhos teimosos e alagadiços
embaçam nesgas de tristeza
sob os retalhos a cambiar na retina
de sua asfixiante beleza

nos rios da ternura
imploro a suave e mansa correnteza
uma prece pelo meu coração
a dissolver-se escoadouro
para que eu mergulhe no
enlear-se das tuas marés
de bem querer



teus olhos límpidos e serenos
duas estrelas
a derramar fogo doce
em meus tenazes sensores

já tão subjugados

em teus dissabores


sabe lá o que será
desta paixão que acarinha pássaros
temerosos, palpitantes e fugidios
sob as tormentas


mas teima em acordar
beijando flores
de folhas escuras e amargas
raivosas e densas

que brotam n’alma
como espinhos
e laminas de areia



este amor, teu amor
impossível amor

"Mas o que vou dizer da Poesia? O que vou dizer destas nuvens, deste céu? Olhar, olhar, olhá-las, olhá-lo, e nada mais. Compreenderás que um poeta não pode dizer nada da poesia. Isso fica para os críticos e professores. Mas nem tu, nem eu, nem poeta algum sabemos o que é a poesia." (Federico García Lorca)

 
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